Dados fiscais e ata do BC são os destaques da semana

A semana começa com agenda forte de indicadores, aqui e no exterior. Internamente, dois eventos atraem expectativas: a divulgação do resultado fiscal primário do governo central em março, na terça-feira, e da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que reduziu 0,75 ponto porcentual, de 16,50% ao ano para 15,75%, a taxa básica de juros, na quinta. O resultado fiscal vai deixar claro a quantas andam as contas públicas. O interesse do mercado por ele cresceu com os sinais de aumento dos gastos correntes do governo nos últimos meses, diz Flavio Farah, vice-presidente-executivo de Tesouraria do banco WestLB do Brasil. "Os números vão mostrar se nos 12 meses terminados em março o superávit primário ficou acima ou abaixo da meta de 4,25% do PIB." O superávit primário (receitas menos despesas, sem incluir os juros) é a economia que o governo faz para pagar parte dos juros da dívida. O esforço de superávit primário forma, ao lado da política de metas de inflação e de câmbio flutuante, o ponto básico de credibilidade na política econômica do governo. Um desvio desse superávit para um nível abaixo da meta, comenta Farah, seria um fator de preocupação para o investidor estrangeiro que aplica em títulos públicos do País. O efeito desse sentimento pode ser uma alta na curva de juros de longo prazo, dificuldade de colocação dos títulos do Tesouro, porque o mercado passaria a exigir juros mais altos, e pressão sobre o dólar. A expectativa com a ata do Copom aumentou com a volta de uma frase no comunicado da última reunião, depois de retirada do texto do encontro anterior, de que o Copom vai "acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até a sua próxima reunião para, então, decidir os próximos passos na sua estratégia de política monetária". Isso levou parte do mercado a reavaliar o corte previsto para a próxima reunião, em 31 de maio, de 0,75 ponto porcentual para 0,50 ponto, e aguçou o interesse principalmente com os dados de atividade. "A ata deve mostrar como o BC está vendo a atividade e os riscos sobre a inflação", comenta Farah. Os destaques de inflação nesta semana são o IPCA-15 de abril, estimado em 0,32% pelo WestLB, que sai na quarta-feira, e o IGP-M também de abril, projetado como deflação de 0,55%, na quinta-feira. No exterior, os eventos mais importantes são a divulgação do livro bege, relatório sobre as condições da economia norte-americana, na quarta-feira, e o depoimento do presidente do Fed (banco central dos EUA), Ben Bernanke, no Congresso americano, na quinta-feira.

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