Davos quer mais economia e menos política

O Fórum Econômico Mundial, que começa hoje em Davos, quer voltar às origens, ou seja, tratar mais de questões econômicas do que políticas. Segundo seu criador, o professor de economia Klaus Schwab, "o Fórum não deve se meter em temas muito politizados nem se transformar em uma conferência Norte-Sul para o desenvolvimento". Entre as centenas de empresários que vão tratar de questões econômicas está o presidente da Nestlé, Peter Brabeck, que já no ano passado tornou público seu descontentamento porque as reuniões se concentravam muito em assuntos políticos e pouco nos econômicos. Em 2005, as reuniões do fórum buscaram soluções para a situação da África. Naquela edição, roubaram a cena personagens de forte apelo na mídia, como a atriz Sharon Stone, que arrecadou, na hora, US$ 250 mil, para comprar mosquiteiros como proteção contra a malária. Mas esse tipo de performance não agradou ao mundo empresarial. Schwab procurou tranqüilizar os participantes. "Todos os nossos convidados são superestrelas", disse ele na semana passada. E ressaltou que o que evento busca "é gente que esteja comprometida de verdade". Um dos principais temas do Fórum Econômico Mundial é "o imperativo da criatividade", assunto escolhido porque pode abranger negócios, políticas, reformas e muito mais, justificou Schwab. "A criatividade é uma qualidade única de um encontro anual que pode fazer sentido num mundo que se transforma rapidamente. É essa criatividade em busca do bem comum que está nos corações do espírito de Davos", explicou num comunicado. Um novo tema debatido este ano será o papel dos esportes na promoção do crescimento econômico e ampliar as relações entre os países. Entre os participantes desse debate estão Pelé, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, e um diretor da Liga Nacional de Basquete dos Estados Unidos (NBA), David Stern. Mas os astros do show-business não estão de fora. Estrelas como o escritor Paulo Coelho, a atriz Angelina Jolie e os músicos Peter Gabriel e Bono (do U2). O porta-voz do Fórum, Mark Adams, justificou a presença de celebridades de áreas tão diversas. "Os problemas que o mundo enfrenta atualmente são tão multidimensionais que é necessário reunir pessoas de vários grupos para tentar resolvê-los." Apesar de todo esse clima de união, a polícia da Suíça já ergueu barricadas em volta de Davos para garantir a segurança.

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