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Bolsa cai mais de 1% e dólar fecha a R$ 3,24 antes de debate entre Hillary e Trump

Mercado reflete preocupação com disputa presidencial e política monetária nos EUA; temores de crise financeira na Europa afetaram bancos

Lucas Hirata, Paula Dias, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2016 | 14h26

A cautela antes do debate entre Hillary Clinton e Donald Trump, nesta segunda-feira, 26, e a preocupação com a política monetária dos Estados Unidos levaram a Bolsa a fechar em queda de 1,10%, aos 58.053,53 pontos, e o dólar encerrar os negócios perto da estabilidade, a R$ 3,24. Além disso, temores de uma crise financeira na Europa envolvendo o Deustsche Bank derrubaram ações de bancos e influenciaram os papéis do setor, com reflexos também no Brasil. A possibilidade de o banco alemão ter de pagar uma indenização bilionária e a indicação de que a chanceler Angela Merkel não deve fornecer ajuda estatal à instituição foram fatores decisivos para o rumo dos negócios. 

A moeda americana, no segmento à vista, fechou em alta de 0,02%, aos R$ 3,2431. Na mínima, a divisa chegou aos R$ 3,2242 (-0,56%), enquanto a máxima foi de R$ 3,2529 (+0,33%). De acordo com dados registrados na clearing da BM&F Bovespa, o volume de negócios somou US$ 1,130 bilhão. No mercado futuro, o contrato para outubro encerrou em queda de 0,17%, aos R$ 3,2445. A mínima foi de R$ 3,2285 (-0,66%), enquanto a máxima tocou R$ 3,2590 (+0,28%), com giro de US$ 11,761 bilhões. 

A divisa norte-americana permaneceu em queda durante grande parte do período vespertino por causa dos avanços de mais de 3% nos preços de petróleo. A expectativa é de congelamento da produção, a ser decidida em uma reunião informal da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) na quarta-feira, 28. 

Na mínima, a moeda chegou a zerar temporariamente os ganhos acumulados ao longo do mês no mercado à vista. A partir daí, o câmbio atraiu montagem de posições compradas de curto prazo de olho na formação da última taxa Ptax do mês, levando o dólar ao terreno positivo. O movimento de alta foi reforçado pela cautela antes do primeiro debate entre Hillary e Trump. Especialistas alertam que caso Trump se saia melhor nesta segunda-feira o mercado pode reagir amanhã com alguma aversão ao risco. 

O câmbio também contou, na avaliação de operadores, com montagem de posições compradas de curto prazo no mercado futuro, o que abriu caminho para o avanço da divisa norte-americana. Esse movimento já levou em consideração a proximidade do fim de setembro e a consequente formação da última taxa Ptax de mês, que serve de referência para importadores, exportadores e balanços corporativos, por exemplo.

Mercado de ações. A Bovespa acompanhou o mau humor do mercado internacional e operou em baixa durante todo o pregão, dando continuidade ao movimento de sexta-feira. O volume de negócios totalizou R$ 4,49 bilhões, bem abaixo da média diária de setembro, de R$ 6,84 bilhões. Segundo operadores, as quedas aqui e em Nova York não foram maiores porque o petróleo operou em forte alta durante todo o dia, recuperando parte das perdas recentes. 

Apesar da alta dos preços da commodity, as ações da Petrobrás não escaparam da onda de vendas e terminaram o dia com perdas de 1,80% (ON) e 2,12% (PN). As ações de bancos também tiveram desempenho negativo importante, influenciadas em boa parte pelos temores de problemas com bancos na Europa, em meio a sinais de dificuldades do Deutsche Bank.  Bradesco PN caiu 1,24%, Banco do Brasil ON cedeu 1,13% e Itaú Unibanco perdeu 0,77%.

Algumas ações do setor imobiliário também foram destaque de queda, devido à notícia de que o Ministério das Cidades desautorizou a Caixa Econômica Federal a utilizar, em contratações do programa habitacional, recursos do FGTS, do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) e do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS). Com isso, MRV ON caiu 1,87% e Direcional ON (fora do Ibovespa) recuou 3,37%. Com o resultado de hoje, o Ibovespa acumula alta de 0,26% em setembro e alta de 33,92% no acumulado de 2016. 

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