Decepção com dados fiscais faz taxas dispararem

A decepção com os dados fiscais anunciados nesta sexta-feira, 28, pelo governo apagaram um pouco do otimismo recente dos investidores com o Brasil e provocaram alta dos juros futuros e do dólar ante o real. No caso das taxas futuras, o movimento voltou a tornar consensuais as apostas de uma elevação de 0,25 ponto porcentual da Selic.

MÁRCIO RODRIGUES, Agencia Estado

28 de fevereiro de 2014 | 17h13

No fim da sessão regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2014 (221.595 contratos) tinha taxa de 10,77%, ante 10,74% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2015 (260.275 contratos) projetava 11,07%, de 10,97% na véspera. No trecho mais longo, o contrato com vencimento em abril de 2017 (437.880 contratos) indicava 12,26%, de 12,05% ontem. O DI para janeiro de 2021 (66.230 contratos) estava em 12,xx%, de 12,48% no ajuste anterior.

A principal decepção com os números fiscais veio do Governo Central. Segundo o Tesouro Nacional, o superávit primário do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) foi de R$ 12,954 bilhões em janeiro. O piso das projeções era de R$ 13,0 bilhões. O resultado apresentou uma queda de 50,7% em relação ao obtido em igual mês do ano passado e uma retração de 10,4% na comparação com dezembro de 2013. Enquanto as despesas do Governo Central cresceram 19,5%, as receitas avançaram 6,6% em relação a igual período de 2013. As receitas totalizaram R$ 125,062 bilhões e as despesas somaram R$ 90,112 bilhões em janeiro.

Depois, os resultados do setor público consolidado apenas confirmaram a piora de percepção. O setor público apresentou superávit primário de R$ 19,921 bilhões em janeiro, segundo o Banco Central. O resultado ficou abaixo do piso das estimativas colhidas pelo AE Projeções, de R$ 20 bilhões a R$ 27 bilhões. Em dezembro, o resultado havia sido positivo em R$ 10,407 Os governos regionais (Estados e municípios) contribuíram com R$ 7,241 bilhões no mês. Já as empresas estatais registraram superávit primário de R$ 131 milhões. Em 12 meses até janeiro, as contas do setor público acumulam um superávit primário de R$ 80,976 bilhões em 12 meses até janeiro, o equivalente a 1,67% do PIB. O esforço fiscal caiu em relação a dezembro, quando o superávit em 12 meses estava em 1,90% do PIB ou R$ 91,306 bilhões.

Segundo um gestor, uma parte da confiança do mercado no governo, após o anúncio da meta de superávit primário de 1,9% para 2014 e do corte de R$ 44 bilhões no Orçamento, foi abalada. "O mercado vai continuar acompanhando os números fiscais mês a mês, mas o dado de janeiro reforçou a desconfiança e não a confiança", afirmou.

Nesse ambiente, o dólar ante o real terminou cotado a R$ 2,3420 no balcão, com valorização de 0,86%. O Banco Central até fez um leilão extraordinário de linha com recompra programada de US$ 1,8 bilhão, mas não conseguiu segurar as cotações.

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