Decisão da Petroquisa é revés para Braskem

A novela acabou, mas o mocinho não ficou com a mocinha. A Petroquisa, braço da Petrobras no segmento químico, não irá exercer a opção que detinha de ampliar sua participação na Braskem em até 30% - a parcela atual que a Petroquisa detém na Braskem é de 10,02% do capital votante. Apesar das declarações do presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, o mercado decepcionou-se com a decisão. Dentre as dez mais ações mais negociadas da Bovespa hoje, Braskem é a única em baixa. Às 15h42, as preferenciais classe A perdiam 2,17% e as ordinárias 2,62%. O índice Bovespa, por sua vez, subia quase 2%. Em comunicado, Grubisich confirmou seu compromisso com o desenvolvimento do Rio Grande do Sul e do Pólo de Triunfo, onde se localizam suas unidades industriais mais modernas e competitivas, bem como o seu Centro de Tecnologia e Inovação. A Braskem continuará gerindo a Copesul, em conjunto com o grupo Ipiranga, com o mesmo sucesso alcançado até agora. Para analistas, a decisão da Petroquisa é negativa para a petroquímica privada. Em relatório, os analistas do Credit Suisse, Emerson Leite e Vinicius Canheu apontam que o não exercício da opção representa um "revés significativo para as metas de consolidação da Braskem no complexo petroquímico do Sul". Para o Bear Stearns, a partir da decisão da Petrobras, a empresa deverá voltar-se para ativos menores, como Politeno e Petroflex. Segundo eles, o objetivo da Braskem era o de elevar sua participação na Copesul e, eventualmente, negociar com o grupo Ipiranga a fatia restante do bloco de controle, assumindo assim integralmente a operação do craqueamento. "Isso permitiria à Braskem integrar verticalmente seus ativos de segunda geração, replicando o mesmo modelo aplicado à época da fusão da Copene com OPP e Trikem no complexo do Nordeste", afirmam. Para os analistas Marc McCarthy e Sérgio Torres, do Bear Stearns, a decisão da Petrobras, controladora da Petroquisa, foi acertada, uma vez que a estatal manteve sua capacidade de influenciar nas decisões tanto de Copesul quanto da Braskem. "A Petrobras parece querer manter o controle das plantas estratégicas", avaliam. Conforme os especialistas, a expectativa é a de que a Braskem apresente um plano B para suas metas de consolidação no País, crescimento no mercado internacional e posicionamento desejado antes que o novo complexo de polímeros do Rio alcance a capacidade potencial. (Síntese de informações divulgadas pelo AE Empresas e Setores)

Agencia Estado,

03 Abril 2006 | 16h00

Mais conteúdo sobre:
ações

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.