Decisão sobre programa de compra de bônus foi difícil, diz BC inglês

O Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra (BoE, o banco central do país) decidiu não ampliar o teto do seu programa de compra de títulos em fevereiro em votação unânime, mas para alguns membros a decisão foi difícil, segundo a ata da reunião divulgada hoje. O comitê decidiu que "poderia ser feito um argumento" para ampliar a sua política de flexibilização quantitativa de compra de títulos de 200 bilhões de libras (US$ 314,2 bilhões) com o dinheiro do banco central recém-criado. Segundo o comitê, o programa poderá ser retomado no futuro, se as condições econômicas exigissem.

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

17 de fevereiro de 2010 | 15h54

 

Junto com os inesperados dados fracos do emprego, a ata destacou que o banco central poderia manter sua política extremamente frouxa por algum tempo em meio aos "consideráveis" ventos contrários ao crescimento econômico. Os membros também ressaltaram a grande incerteza que os formuladores de políticas públicas enfrentam ao julgar a postura política mais adequada a ser adotada. "Todos os membros sentiram que os argumentos favoráveis à manutenção do tamanho do programa de compra de ativos nesta reunião foram mais persuasivos", ressaltou o Comitê no documento. "Mas para alguns membros, os argumentos foram muito equilibrados".

 

Dados do Escritório Nacional de Estatísticas mostraram que a medida de contagem do desemprego aumentou em 23.500 em janeiro, a maior alta desde julho de 2009. Embora o estoque de compras de ativos de 200 bilhões de libras deva fornecer um "impulso" substancial "por algum tempo", os membros do "comitê tinham uma variedade de opiniões sobre qual seria o tamanho do estímulo e quanto tempo duraria.

 

Os membros ressaltaram que a extensão da política quantitativa frouxa poderia trazer a inflação de volta à meta mais rápido e limitar os danos à capacidade de oferta da economia. Eles disseram, porém, que não existe um "grande" risco de a inflação ficar abaixo da meta ao longo dos próximos dois anos, facilitando ainda mais o arriscado aumento das expectativas de inflação. Dados divulgados ontem apontaram inflação de 3,5% em janeiro, acima da meta do comitê de 2%.

 

Um relatório feito por funcionários regionais do BOE mostrou que a forte alta da inflação não só refletiu o aumento do imposto de valor agregado (VAT) para 17,5% em 1º janeiro - depois da redução temporária para 15% -, e também um número menor de promoções nas lojas por causa dos estoques baixos. De acordo com a ata, os membros avaliaram que, diante da grande

incerteza sobre as perspectivas econômicas, uma pausa no programa permitiria ao BOE avaliar o impacto do seu estímulo e o desenvolvimento das condições de forma mais completa.

 

Alguns membros também alertaram que a expansão das aquisições poderia aumentar a chance de altas "injustificáveis" dos preços dos ativos e de que a tentativa de reduzir o excesso de capacidade muito rápido poderia criar um pressão inflacionária indesejável. A ata colocou um holofote sobre uma variedade de pontos de vista no comitê sobre o impacto de diferentes fatores na inflação e a enorme incerteza no sentido de avaliar o caminho da economia.

 

Os membros do comitê destacaram, em particular, a dificuldade de avaliar qual a extensão da crise financeira e a consequente recessão que reduziu o potencial econômico, por quanto tempo seus efeitos podem durar e suas implicações para a inflação. "A sensibilidade da inflação para a margem do excesso de capacidade durante a recessão poderá se baixa, por causa dos desenvolvimentos estruturais de longo prazo na economia desde as recessões anteriores e do impacto da incerteza econômica nas decisões de preços da indústria", destacaram os membros do comitê.

As informações são da Dow Jones.

 

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