Déficit na conta petróleo soma US$ 3,21 bi até agosto

O déficit comercial na conta petróleo atingiu US$ 3,210 bilhões até agosto, informou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Os dados incluem o petróleo bruto, derivados e o gás natural, importado da Bolívia. O movimento reflete principalmente o forte aumento dos preços do petróleo no mercado internacional, que têm anulado os efeitos do aumento da produção interna. Em termos financeiros, portanto, o Brasil ainda está longe da auto-suficiência na produção desse combustível e o peso da compra de petróleo ainda é muito relevante na balança comercial brasileira. No início do ano, a Petrobras estimou que o País poderia atingir superávit comercial de até US$ 3 bilhões nesse item, devido ao acréscimo da produção interna. Pelos dados acumulados até agosto, porém, dificilmente esse valor será atingido.Os dados da ANP mostram o aumento crescente das compras de gás natural da Bolívia. As compras de gás natural da Bolívia atingiram US$ 986 milhões nos oito primeiros meses de 2006, com aumento de 63% sobre igual período de 2005. Só em agosto, as importações do combustível boliviano atingiram US$ 144,7 milhões, com aumento de 56,29% sobre agosto do ano passado, quando as compras mensais totalizaram US$ 92,5 milhões. Os dados da ANP mostram que além de maior volume, tem havido aumento nos preços da matéria-prima importada do país vizinho.Além disso, aumentou a diferença entre os preços do petróleo produzido no mercado interno e o importado. Enquanto o Brasil pagou cerca de US$ 77,62 por barril que comprou no exterior em agosto, o barril exportado saiu pelo equivalente a US$ 57,44, o que dá uma diferença de US$ 20,18 por cada barril. A Petrobras, que controla 98% do petróleo refinado no Brasil, tem de importar óleo leve (mais caro) para processar nas suas refinarias.Os dados da ANP mostram que o País reduziu em 5,03% as compras de óleo bruto nos oito primeiros meses de 2006, mas o valor financeiro subiu para US$ 6,353 bilhões, com aumento de 28,98% em relação a igual período de 2005. No caso das exportações, aumentou o volume em 13,83% em relação a igual período de 2005, o que elevou a receita financeira em 56,62% sobre os primeiros meses de 2005, atingindo US$ 4,131 bilhões. Com isso, o déficit, só de óleo bruto, atingiu US$ 2,22 bilhões, mas teria sido muito maior, sem o acréscimo na produção interna.No caso dos derivados, a ANP mostra que houve equilíbrio entre o montante importado e o total exportado nos primeiros oito meses do ano. Ao todo, as compras no exterior somaram US$ 2,915 bilhões, o que representa cerca de metade das compras de óleo bruto. Em relação a igual período do ano passado, houve aumento de 27,27% em valores.Já as exportações totalizaram US$ 2,912 bilhões, com aumento de 60,89% sobre o mesmo período de 2005. Ao exportar mais derivados a Petrobras consegue se apropriar de parte da diferença de preços entre o óleo nacional e o importado, ao contrário das vendas do óleo bruto.

Agencia Estado,

17 de outubro de 2006 | 14h04

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