Demanda por ações surpreende São Martinho

O diretor-financeiro e de relações com investidores do Grupo São Martinho, João Carvalho do Val, disse hoje à Agência Estado ter ficado surpreso com o desempenho da companhia no encerramento de sua oferta pública de ações, hoje, que alcançou R$ 423,6 milhões, 18,75% do capital total. A maior parte das ações - 53,43% - foi arrematada por investidores estrangeiros. Segundo informações da companhia, esta é uma tendência do mercado financeiro nos últimos meses. "É o que tem ocorrido. E é normal devido à quantidade de recursos que eles têm disponível", disse Do Val. Sobre a entrada de capital estrangeiro no setor, o diretor não vê problemas. "Não tenho medo. É importante que grupos como Cargill e Bunge nos conheçam. Eles têm capital e experiência e estamos atingindo grandes mercados". A novidade, segundo ele, ficou por conta da participação dos investimentos de pessoas físicas, da ordem dos 8,26% das ações, a segunda maior adesão dos últimos anos em número de participantes. "Foram quase 25 mil acionistas. Foi uma surpresa, porque concorremos com grandes como a Embraer, por exemplo. Atribuímos isso a um trabalho bem feito e reconhecido", assinala Do Val. O restante foi adquirido por clubes e fundos de investimentos, entidades de previdência privada, instituições financeiras e pessoas jurídicas. Foram ofertadas mais de 21,2 mil de ações, 13 mil em oferta primária e cerca de 8,1 mil em secundária. O lote suplementar foi exercido em sua totalidade, representando mais de 2,7 mil de ações, ao preço de R$ 20 cada uma. A São Martinho, que tem como controladores membros dos Ometto (tradicional família de origem italiana do interior paulista), foi a segunda companhia sucroalcooleira a abrir o capital no País, a exemplo do que havia feito o Grupo Cosan, líder do segmento. Nova unidade O Grupo São Martinho também festeja o lançamento, na próxima sexta-feira (2 de março), da pedra fundamental da Destilaria Boa Vista, em Quirinópolis (GO). Essa será a terceira unidade da companhia, composta pelas unidades Iracema, de Iracemápolis, e São Martinho, de Pradópolis, ambas no Estado de São Paulo. Juntas, elas foram responsáveis pela moagem de cerca de 9,5 milhões de toneladas de cana na última safra. A Boa Vista deve começar a operar na próxima safra, com capacidade para moer 1,7 milhão de toneladas de cana, começando com 1 milhão de toneladas (a previsão é de 3 milhões no período 2010/2011) e produção de 94,6 milhões de litros de álcool, inicialmente, só hidratado. Os investimentos no novo empreendimento estão na casa dos R$ 343 milhões, obtidos via Bolsa de Valores de São Paulo e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com a nova usina, o Grupo São Martinho passará a gerar uma média de 7,5 mil empregos diretos. Do Val se orgulha em dizer que a nova unidade será totalmente mecanizada, trabalhando somente com cana crua, sem queimadas. O São Martinho é, atualmente, o segundo maior produtor de açúcar e álcool do País, depois do Grupo Cosan. Movimento do setor Do Val preferiu não comentar o resultado da disputa recente pela Companhia Açucareira Vale do Rosário, que terminou com a aquisição de 100% do controle acionário pelos minoritários, apesar do empenho do Grupo Cosan em efetivar o negócio. Indagado se o Grupo São Martinho também tem sido assediado, ele é incisivo. "Nossa companhia vai se consolidar no mercado, não será consolidada por ele. Escolhemos um outro caminho, abrimos capital. O Brasil tem grandes grupos atuando nesse setor e escolhemos ser um desses grandes". O entrevistado é otimista quanto ao andamento dos negócios do setor, embora aponte entraves, como as dificuldades de logística. "O Brasil tem de se modernizar. Nosso trabalho de profissionalização começou há dez anos, com ações como a fusão de empresas, a implantação de um dos modelos de gestão mais modernos e a escolha do nível mais alto da governança corporativa, o Novo Mercado. Nós fizemos a 'lição de casa' direitinho e o pessoal percebeu isso", finalizou.

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