Desempenho do comércio indica maior atividade

De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada pelo IBGE, o volume de vendas do comércio varejista apresentou, em janeiro deste ano, alta de 6,5% sobre igual mês de 2005. Isto representou avanço de 2,3% sobre dezembro, na série ajustada pela sazonalidade. Os números ficaram acima da projeção da LCA (alta 3% e avanço marginal de 1,2% na comparação com o ano passado), bem como da mediana das expectativas do mercado (3,5% e 0,5%, respectivamente, segundo levantamento da Agência Estado junto a 10 instituições). A projeção da LCA não considerava prováveis - porém imprevisíveis - revisões na série histórica do indicador. E, de fato, houve revisões de observações anteriores: a alta entre um ano e outro do volume vendido em dezembro passou de 4,3% para 4,9%, o que elevou a variação marginal de 1,2% para 2,3%. Com essa revisão considerável dos números de dezembro, o nível dessazonalizado das vendas no último mês de 2005 alcançou o nível que a LCA projetava para janeiro deste ano considerando a antiga base de dados. A média móvel trimestral dessazonalizada do volume de vendas do comércio varejista - um bom indicador de tendência de curto prazo - apresentou, em janeiro, a maior variação já registrada, reafirmando a trajetória de recuperação iniciada nos dois últimos meses do ano passado. Esse comportamento reforça a avaliação da LCA de que o resultado ruim da produção industrial em janeiro foi algo pontual. Em um contexto no qual a indústria como um todo já não se encontra mais com super estoques (conforme apontaram as Sondagens Industriais trimestrais da FGV e da CNI), a evolução das vendas do comércio varejista nos últimos três meses reitera a expectativa da LCA de aceleração relevante da atividade fabril ainda no primeiro trimestre de 2006. Um indício importante nesse sentido é a evolução do nível de emprego formal na indústria de transformação (dados do Caged/MTE com ajuste sazonal da LCA), que apresentou variação de 0,28% em janeiro e de 0,50% em fevereiro (a média das variações mensais em 2005 foi de 0,25% e a mesma média no segundo semestre de 2005 foi de 0,16%). Desempenho regional. A abertura por Unidades da Federação aponta que em 18 Estados houve, na passagem de dezembro para janeiro, expansão marginal dessazonalizada das vendas (de 4,2%, em média), ao passo que nos 8 estados restantes as vendas do comércio varejista recuaram nesse período (1,3%, em média). Chama a atenção o forte incremento marginal de 10,3% das vendas em São Paulo - o maior já registrado pela PMC para o estado em bases mensais (até então a maior expansão havia sido de 4,6%, observada em maio de 2000). Embora não tenha sido a maior variação nessa comparação (no Amapá as vendas cresceram 31,4%), o resultado de São Paulo puxou bastante para cima o desempenho nacional das vendas do comércio varejista em janeiro - o peso do |estado na PMC é de cerca de 30%. Desempenho setorial - Na comparação com dezembro de 2005 (já descontadas as influências estacionais), quase todos os setores registraram crescimento - exceção feita ao setor de combustíveis e lubrificantes . Houve destaque para a evolução das vendas do setor Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: segundo o IBGE, o volume vendido pelo setor avançou 6% no período, o que correspondeu ao maior avanço em bases mensais já registrado. O instituto não deu explicação para esse comportamento marginal das vendas do setor. Uma possibilidade é que a população cujo rendimento está atrelado ao salário mínimo tenha antecipado suas compras após o anúncio oficial, no começo deste ano, do reajuste (que implicará ganho real de cerca de 13%, na data do reajuste, e começará a ser pago em maio). Essa antecipação tem sido cada vez mais facilitada pelo desenvolvimento do mercado de crédito para a população de baixa renda - um bom exemplo são os cartões de crédito de marca própria de grandes redes varejistas. O comércio em fevereiro e perspectivas. Alguns indicadores referentes ao desempenho do comércio do mês de fevereiro já foram divulgados e apresentaram os seguintes resultados na comparação com janeiro: i) O número de consultas ao Usecheque (indicativo para as vendas à vista) recuou 2,9%, ao passo que as consultas ao SPC (que aponta as vendas a prazo) caíram 0,9% (em ambos os casos, os dados originais são da ACSP, com ajustamento sazonal da LCA); ii) O índice de confiança do consumidor na região metropolitana de São Paulo apresentou pequeno recuo de 0,1% (dado da Fecomércio- SP que não possui sazonalidade); iii) A expedição de artigos de papelão ondulado manteve-se estável (dados da ABPO com ajuste sazonal da LCA). Considerando esse conjunto de informações, a projeção da LCA é de que o volume de vendas do comércio varejista em fevereiro tenha registrado alta de 7,7%, na comparação de um ano ante outro, o que corresponderia a uma queda de 2,2% ante o nível de janeiro, feito o ajuste sazonal. Vale ressaltar, como de costume, que essa projeção não considera prováveis, porém imprevisíveis, revisões na série histórica do indicador.

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