Desemprego nos EUA deve chegar a 12% nos próximos 6 meses.

Para professor do Massachusetts Institute of Technology, esse será um entrave para o consumo no país

Luciana Xavier, da Agência Estado,

10 de novembro de 2009 | 15h53

A taxa de desemprego nos Estados Unidos deve continuar a crescer nos próximos seis meses e poderá atingir 12%, afirmou nesta terça-feira, 10, o economista turco Daron Acemoglu, professor de estudos econômicos aplicados do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Segundo ele, isso sem dúvida será um entrave para que o consumo no país volte à normalidade.

 

Veja também:

som Ouça o áudio da entrevista

 

"Mesmo com um cenário de recuperação otimista da economia, o mercado de trabalho deve seguir sem força e o desemprego deve continuar a aumentar por até seis meses. E há também o risco de termos novos problemas no sistema financeiro", disse Acemoglu, por telefone, de Cambridge, nos EUA, ao AE Broadcast Ao Vivo. Ele estará na sexta-feira, dia 8, em São Paulo, para participar do 8º Seminário de Economia da Febraban.

 

A taxa de desemprego nos EUA subiu de 9,8% em setembro para 10,2% em outubro, o maior nível desde abril de 1983. Economistas previam, em média, alta para 9,9%. Desde o início da recessão, em dezembro de 2007, 8,2 milhões de pessoas ficaram sem emprego. As maiores perdas foram nos setores de construção, manufatureiro e varejo.

 

Acemoglu disse que o setor manufatureiro tem se mostrado muito fraco, enquanto o de varejo e imobiliário mostram alguma reação, mas ainda sem muito vigor, o que reduz a confiança sobre a força da retomada da economia.

 

Por outro lado, o economista ressaltou que o mercado financeiro teve impulso nos últimos três meses e meio. "Isso traz a preocupação de que possamos ter uma mini versão dos problemas que levaram a essa crise, como o aperto do crédito e a falta de confiança. Não estou dizendo que teremos um segundo mergulho (na recessão), mas não podemos ignorar 100% essa possibilidade. O cenário mais provável é de recuperação lenta", afirmou.

 

Acemoglu disse que a retomada do consumo está condicionada à melhora do mercado de trabalho e redução da taxa de desemprego. Ele espera o retorno de um consumo "moderado" no prazo de seis meses a um ano.

 

Reforma - O economista turco disse ser essencial uma reforma financeira internacional, como pretende o G-20, para evitar novas crises semelhantes à atual. Acemoglu, no entanto, acredita que a reforma pode não ser feita em boa parte porque os Estados Unidos, a quem é mais imprescindível uma reforma financeira, não se mostram empenhados na questão. Os países do G-20 se reuniram no último final de semana para discutir um pacote com novas regras para instituições financeiras.

 

"Os Estados Unidos estão fazendo barulho e se mostrando contrários a mudanças. Creio que a chance de uma reforma global não parece provável", afirmou.

 

Acemoglu disse que a questão fiscal é um problema de quase todos os países atualmente, porém muito mais grave nos Estados Unidos. Segundo ele, países como Brasil, Índia e Turquia devem ter crescimento mais rápido nos próximos anos e isso deve ajudar a reduzir o problema fiscal.

 

O economista comentou também não acreditar que o ouro conseguirá se sustentar em alta vigorosa no médio e longo prazo. Segundo ele, a alta do ouro reflete o grau de incerteza que ainda paira sobre a economia mundial, mas avalia que a commodity deve reverter sua trajetória em até um ano.

Tudo o que sabemos sobre:
DesempregoEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.