Deutsche revisa estimativas e preço-alvo das elétricas

O Deutsche Bank revisou sua estimativa e preço-alvo para as ações de empresas do setor elétrico brasileiro. A recomendação da Cemig foi elevada de "manutenção" para "compra", enquanto as classificações da Energias do Brasil e da Copel foram mantidas ambas em "compra". A Eletrobrás continuou com a recomendação de "manutenção". "Energias do Brasil está entre nossas ações 'top pick' (melhores escolhas) dentro do setor de energia, acompanhada de Cemig e Copel", dizem os analistas Marcus Sequeira e Lucrecia Tam, do Deutsche. No terceiro trimestre, o resultado da Cemig deve refletir a consolidação da compra de participação na empresa de distribuição do Rio de Janeiro, a Light, e a empresa mineira deve divulgar um resultado extraordinário de R$ 88,7 milhões. Com o mercado sentindo-se mais confortável com a incorporação da Light pela Cemig e a revisão tarifária da companhia para 2008, as ações podem reagir favoravelmente. Embora a recomendação da empresa tenha sido elevada para compra, o Deutsche manteve o preço-alvo, de R$ 102, com potencial de valorização de 19,6% até outubro de 2007. Já o preço-alvo da Energias do Brasil foi reduzido de R$ 40 para R$ 38, mas os analistas do banco ressaltam que a ação continua entre as mais recomendadas no setor. "Nosso preço-alvo, no entanto, sugere uma valorização de 36,9% (em 12 meses)", afirmam. No caso da Copel, o preço-alvo subiu de R$ 26 para R$ 28, representando um potencial de valorização de 14,3% em um ano. Em seu relatório, os analistas explicam que vários fatores contribuem para visão positiva para o setor. Primeiro, a percepção de baixo risco regulatório, com uma maior transparência no processo de revisão tarifária das distribuidoras que inicia o segundo ciclo no próximo ano. Como conseqüência da redução do risco regulatório há uma melhora nos ganhos das concessionárias. Também houve uma melhora na governança corporativa, com muitas empresas do setor aderindo ao Novo Mercado. Colabora, ainda, o esforço do governo em aumentar os investimentos no setor com financiamentos favoráveis do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a tendência de alta nos preços da geração. Ao mesmo tempo, dizem os analistas, existem alguns riscos para serem monitorados nos próximos 12 a 18 meses, como o resultado do segundo ciclo de revisão tarifária das distribuidoras, apesar de tudo indicar que esta revisão será mais transparente que a anterior, realizada em 2003-2004. O mercado também está atento para a demanda de energia no Brasil, com resultados abaixo da expectativa no primeiro semestre em razão da atividade econômica. Na geração, a inclusão de dois megaprojetos, as hidrelétricas Madeira e Belo Monte, pode ser um sinal, segundo os analistas, de alta interferência do governo no setor, além de ser uma pressão para a baixa de preços, podendo a demanda não crescer como o esperado. "Por enquanto, o volume de capacidade ofertada nos leilões de energia nova tem sido mínimo, com questões ambientais impedindo a oferta de mais usinas", dizem Sequeira e Tam. A dificuldade de obter as licenças ambientais preocupa, podendo resultar em um déficit de oferta, mas ao mesmo tempo faz os preços terem uma tendência de alta nos próximos anos. Os riscos desta visão é que a demanda continue fraca e que o início dos dois megaprojetos, Madeira e Belo Monte, possa deslocar o ponto de equilíbrio entre oferta e demanda.

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