Dia de cão para ação da Petrobras

As ações preferenciais da Petrobras fecharam ontem em queda de 1,45%, em direção oposta à variação do índice Bovespa (+1,21%), refletindo as declarações do presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Pela manhã, ele afirmou que a partir da auto-suficiência, a companhia não seria obrigada a reajustar os preços dos derivados conforme as oscilações do mercado internacional. Logo depois, Gabrielli desmentiu a informação, mas o estrago já havia sido feito. Além das declarações de Gabrielli, outros dois fatores prejudicaram o desempenho das ações da estatal de petróleo. Um deles foi a queda do preço do barril do produto no mercado internacional e o outro foi a possibilidade de elevação nos investimentos da companhia. Para analistas, Gabrielli vem dando sinalizações divergentes ao mercado, o que gera incertezas, eleva o risco e trava as negociações. Antes de ter conhecido do desmentido, o sócio da Tendência Consultoria Integrada José Márcio Camargo avaliou que as declarações sugeriam que a Petrobras pretendia utilizar critérios não-econômicos em sua política de preços de derivados. Segundo o consultor, uma política de preços de derivados que não siga os preços internacionais apenas se justifica caso a empresa pretenda atingir outros objetivos que não a maximização de lucros. "Apesar de as ações serem majoritariamente de propriedade do Estado, a Petrobras possui capital aberto, com acionistas privados", destacou. Analistas de investimentos ouvidos pela Agência Estado acreditam que a Petrobras, mesmo que esteja pensando a respeito, será obrigada a seguir os preços internacionais do petróleo. Isso porque praticamente todos os custos do setor, como construção de plataformas, aluguel de equipamentos e mesmo o pagamento de royalties aos Estados, têm como base o preço internacional do barril de petróleo. Com a auto-suficiência, avaliou Gina Montone, analista do ABN Amro Real, "o Brasil vai deixar de importar diesel o que pode baixar um pouco o preço do produto.". Ela ressalta, no entanto, que a Petrobras nunca poderá seguir uma política de preços totalmente independente, já que os custos são baseados no preço internacional do óleo. "A estatal terá apenas mais margem de manobra", afirma. Mesmo o pagamento de royalties aos Estados é calculado com base no preço internacional, como lembra o analista da Fator Corretora Luiz Felix Cavallari. "Para o investidor, desatrelar os preços internos será muito ruim", afirma o analista. Ele acredita que o presidente da Petrobras se expressou mal e, deve ter tentado passar a idéia que a empresa não terá que reajustar rapidamente e, com isso, não ficará exposta a volatilidade internacional. Se o recuo de Gabrielli foi simplesmente provocado pela repercussão da notícia, a aposta dos analistas é que uma política populista de preços não pode durar muito. "Não passaria de 2006", afirma o analista da Global Invest, Thiago Davino, referindo-se ao ano eleitoral. Davino acredita que esta é uma política populista e não deve sobreviver por muito tempo em razão de a Petrobras ser uma empresa aberta, que deve satisfações aos investidores.

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