DIs oscilam pouco à espera de novidades na Europa

Apostas nas taxas curtas da curva a termo não foram corrigidas por falta de consenso sobre tamanho do ciclo de aperto monetário

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

21 de outubro de 2011 | 16h51

O mercado futuro de juros operou com poucos negócios e estreita oscilação hoje. Como os analistas ainda não chegaram a um consenso sobre o tamanho do ciclo de aperto monetário e aguardam a ata da última reunião do Copom, não houve grandes motivos para correção das apostas nas taxas curtas da curva a termo, que precificam um corte pouco superior a 0,5 ponto porcentual da Selic na última reunião do ano e outra redução de meio ponto no começo de 2012.

O leve viés de queda, no entanto, contou com a colaboração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que voltou a dizer que o Brasil tem espaço para seguir reduzindo sua taxa básica. Entre os longos, os investidores em juros não se mostraram suficientemente confiantes nas promessas de que a segunda reunião de cúpula da União Europeia, na próxima quarta-feira, trará a solução definitiva para a crise de dívida e bancária da região e optaram pela cautela.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2012 (68.560 contratos) estava em 11,138%, de 11,14% no ajuste. A taxa projetada pelo contrato janeiro de 2013 (189.220 contratos) apontava 10,48%, de 10,50% na véspera, enquanto o DI janeiro de 2014, com giro de 83.855 contratos, descia a 10,69%, de 10,75%. Nos vértices longos, o DI janeiro de 2017 (26.715 contratos) recuava a 11,23%, de 11,27% no ajuste, e o DI janeiro de 2021 (2.760 contratos) indicava 11,27%, de 11,29%, ontem.

Hoje, ao ministrar aula inaugural da escola de pós-graduação da Faculdade de Campinas (Facamp), Mantega citou o fortalecimento da política fiscal brasileira como arma de combate à crise. O ministro destacou também que o ajuste fiscal abre espaço para redução de taxa de juros no Brasil e lembrou que na última quarta-feira o Banco Central cortou a Selic em 0,50 pp, para 11,50% ao ano.

Diante disso, o mercado certamente se lembrou dos dias que antecederam a polêmica reunião do Copom de agosto, quando o ministro da Fazenda citou que a política fiscal do País abriria espaço para corte de juros e a autoridade monetária surpreendeu o mercado, dando início ao processo de afrouxamento monetário. "Depois disso, o mercado também passou a computar nos preços as declarações de Mantega e da presidente Dilma Rousseff", salientou um profissional de renda fixa.

No exterior, os mercados subiram apenas a reboque de novas promessas por parte das autoridades europeias. Ontem, em comunicado conjunto, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disseram que estudam um plano abrangente para solucionar a crise da dívida na zona do euro. O tema seria debatido na primeira reunião de Cúpula da UE, neste domingo, e poderia ser aprovado em uma segunda reunião, na quarta-feira.

No meio da tarde, porém, a notícia de que o comitê de orçamento do parlamento da Alemanha aprovou hoje uma resolução para impedir a chanceler de aceitar qualquer acordo que transforme a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF) em um banco capaz de tomar empréstimos do Banco Central Europeu (BCE) foi vista como mais um obstáculo à solução definitiva para o bloco. Os mercados, no entanto, não tiveram reação mais forte.

O otimismo externo também foi alimentado pelos ministros de Finanças da zona do euro, que concordaram em liberar a próxima parcela do auxílio financeiro à Grécia, de 8 bilhões de euros, de acordo com um diplomata da União Europeia.

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