DIs se curvam à piora externa e devolvem prêmios

Contratos de janeiro caíram de 10,97% no ajuste para 10,938%, indicando novo corte dos juros na próxima reunião do Copom

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

23 de novembro de 2011 | 17h00

O mercado futuro de juros futuros voltou a se render à piora externa e registrou devolução de prêmios nos vértices curtos e intermediários da curva a termo, enquanto a parte longa ficou de lado. As notícias ruins vieram de todos os lados. Logo cedo, os investidores se depararam com a desaceleração do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da China. Na Europa, ainda durante a manhã, o Banco Central da Grécia aventou a hipótese de o país sair da zona do euro, enquanto o leilão de títulos da Alemanha teve demanda fraca. Internamente, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, trouxe sinais contraditórios, ao dizer que o mundo se aproxima do cenário vivido em 2008 e que os emergentes já sentem seus efeitos, mas ponderar que a economia brasileira voltou a se acelerar. O IPCA-15 de novembro apontou avanço de 0,46%, ante 0,42% em outubro, mas ficou em linha com o esperado pelo mercado.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2012, com forte giro de 742.075 contratos, caía a 10,938%, de 10,97% no ajuste. Nesse patamar, a taxa indica um corte próximo de 0,60 ponto porcentual da Selic no próximo encontro do Copom, em 29 e 30 de novembro, mas com a maioria dos agentes ainda apostando no ajuste moderado de 0,50 ponto. O DI janeiro de 2013 (461.760 contratos) estava em 9,90%, de 10,01% na véspera, enquanto o DI janeiro de 2014 (185.610 contratos) cedia a 10,20%, de 10,29% ontem. Os longos, por sua vez, ficaram de lado, sustentados pela forte alta do dólar hoje. O DI janeiro de 2017 (35.980 contratos) apontava 10,86%, de 10,87%, e o DI janeiro de 2021 (6.090 contratos) indicava 10,97%, de 10,94% no ajuste.

Para analistas, o principal drive veio realmente do exterior, onde bolsas e commodities tiveram novo dia de queda. A queda do PMI chinês preliminar para 48 em novembro - indicando contração da atividade industrial -, de 51 em outubro, passou a sensação de que a perda de força da economia da China pode ser maior do que a prevista inicialmente. Na Europa, a possibilidade de uma recessão fica cada vez maior e o leilão de títulos da Alemanha hoje é um exemplo de que o maior país da zona do euro não deve ficar imune à crise da região. Em leilão de bunds de 10 anos, os alemães venderam apenas 3,644 bilhões de euros, bem menos do que os 6 bilhões de euros pretendidos.

Na Grécia, o banco central alertou para o fato de o país enfrentar o risco de uma saída desordenada da zona do euro e pediu que o novo governo de coalizão grego acelere o ritmo das reformas econômicas. Em seu relatório prévio de política monetária para 2011, o banco central disse que o mais recente pacote de ajuda de 130 bilhões de euros liderado pela União Europeia representa a última chance para os gregos cumprirem o programa de reformas.

Por aqui, o IPCA-15 de novembro, divulgado pelo IBGE, jogou a favor da estratégia do Banco Central, mas veio em linha com a continuidade de ajustes moderados da Selic. No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 ficou em 6,69%, ainda acima do teto da meta do ano, que é de 6,50%. O índice, porém, não piorou o risco de estouro do teto da meta do ano.

Tudo o que sabemos sobre:
juros futurosAlemanhaSelic

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.