DIs se mantêm em alta com fala de Dilma Roussef

Avanço das taxas foi sustentado após presidente ratificar meta de crescimento de 5% para 2012  

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

16 de dezembro de 2011 | 17h02

O mercado de juros futuros seguiu pressionado pelo movimento técnico de fechamento de posições vendidas em virtude da proximidade do fim do ano, quando a liquidez deve ficar ainda mais estreita. Não obstante, as declarações da presidente Dilma Rousseff reafirmando as palavras recentes do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que há uma meta de crescimento do País de 5% em 2012, amparou o avanço das taxas, sobretudo na parte longa da curva a termo. Enquanto isso, os vencimentos mais curtos ficaram muito perto dos ajustes, refletindo a ausência de novidades internas e o quadro internacional ainda incerto, principalmente depois de o Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmar o cancelamento de uma missão na Hungria e a Fitch ameaçar o rating de alguns países europeus, mas manter o triplo A francês, apenas colocando-o sob perspectiva negativa.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013, com movimento de 169.545 contratos, estava em 9,90%, nivelado ao ajuste, enquanto o DI janeiro de 2014 (119.250 contratos) indicava 10,31%, de 10,27% ontem. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (25.270 contratos) avançava para 10,94%, de 10,85% na véspera, e o DI janeiro de 2021 (1.600 contratos) subia a 11,13%, de 11,04% no ajuste.

A fala de Dilma sobre meta de crescimento do PIB entrou na conta dos agentes. "A meta é 5%. A meta do Guido (Mantega, ministro da Fazenda) é 5%, de toda a área econômica é de 5%. Tenho certeza de que a inflação fica sob controle e manterá a trajetória de curva descendente suave", afirmou hoje a presidente, em café da manhã com jornalistas, no Palácio do Planalto. A projeção de crescimento do PIB para 2012 de 5% já constava da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) aprovada pelo Congresso Nacional e não representa algo novo.

"Sempre que a Dilma ou o Mantega falam em algo que envolve a política fiscal, acaba mexendo com os DIs. Isso porque, caso haja alguma medida micro para estimular o crescimento, pagaremos o preço mais adiante, que é a inflação. Assim, em algum momento, o fardo volta para o Banco Central, que será obrigado a elevar juros, resultando, novamente, em uma desaceleração do crescimento", explicou o economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, referindo-se ao acúmulo de prêmios nas taxas mais longas.

Ainda por aqui, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) avançou 0,72% na segunda semana de dezembro, acima do IPC-S imediatamente anterior, de até 7 de dezembro (+0,63%). Esta foi a maior taxa para o indicador desde a primeira semana de setembro de 2011 (0,74%).

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