Kim Kyung-Hoon/Reuters
Kim Kyung-Hoon/Reuters

Diversificação é indicada com incertezas e aumento do risco

Com crise na Turquia e incerteza eleitoral, analistas defendem estratégias de diversificar as carteiras de ações para ter melhores resultados na Bolsa

Fátima Laranjeira, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2018 | 04h00

Após a piora global na percepção de risco nos últimos dias, com a retomada das preocupações com a crise da Turquia, e as incertezas eleitorais no Brasil, os analistas defendem estratégias de diversificar as carteiras de ações para ter melhores resultados na Bolsa.

A analista da Coinvalores, Sandra Peres, recomenda que, em momentos de grande incerteza como o atual, ao invés de concentrar as carteiras em algum setor específico, optar por uma diversificação ainda maior. “Com câmbio e curva de juros mostrando alta volatilidade, consideramos que o ideal é ter uma carteira equilibrada, que tenha empresas que sirvam como uma espécie de hedge natural: uma companhia com exposição maior ao dólar na receita e outra que tenha custo dolarizado, por exemplo”, ressalta.

A Coinvalores fez uma mudança nos papéis recomendados, com a inclusão da fundição Tupy, no lugar da Petrobrás PN. A carteira conta ainda com a Azul, Magazine Luiza, Rumo e Trisul. “Recomendamos compra para as ações da Tupy tendo em vista a contínua valorização do dólar e a economia pujante dos Estados Unidos. Os números da companhia neste segundo trimestre foram ainda melhores do que o esperado, e a expectativa para os próximos balanços seguem positivas”, diz, sobre a exportadora.

Já o analista da Magliano Invest, Sergio Goldman, sugere como estratégia neste período de volatilidade buscar empresas cujas operações sejam pouco afetadas por incertezas eleitorais e que sejam “menos elásticas” em relação à atividade econômica. “Aí incluímos as companhias do setor elétrico, saneamento e concessionárias de serviços públicos. Varejo de alimentos e demais produtos básicos também se encaixam nesta estratégia. Por isso, temos recomendado as ações do Carrefour. Vemos o setor de seguros também como uma opção interessante”, diz.

Vitor Suzaki, analista da Lerosa, também defende que se dê preferência a setores menos cíclicos e que possuam histórico de resiliência nas crises recentes, qualidade na gestão e, de preferência, liderança nos setores em que atuam. “Empresas de papel e celulose tendem a ser beneficiadas não somente pela questão cambial como preços das commodities em patamares sustentavelmente elevados. Outra empresa que tende a auferir bons resultados é a Vale, pelo ramp up do projeto S11D e nova política de dividendos, com alavancagem sob controle”, destaca.

A Lerosa trocou a Minerva e incluiu a BB Seguridade, considerado um papel atraente não somente pela perspectiva de pagamento robusto de dividendos, como de crescimento de prêmios em várias das suas operações.

Já a Terra tirou BB Seguridade e colocou Embraer. “A alta do dólar e a parceria com a Boeing favorecem as atividades da companhia. A queda recente nas ações abriu uma janela de oportunidade no curto prazo”, afirma a equipe de análise.

A Guide incluiu na carteira a elétrica Engie e a construtora Tenda. “A Engie se destaca pela forte geração de caixa”, dizem os analistas, que ressaltam ainda a perspectiva de boa distribuição de dividendos pela companhia. Sobre Tenda, lembram que tem apresentado uma melhora operacional nos últimos trimestres (em meio ao forte desempenho de lançamentos e vendas), com avanço na margem bruta, e vem conseguindo reverter o alto índice de distratos. 

 

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