Dólar à vista abre a R$ 2,15 na BM&F, baixa de 0,23%

O dólar abriu em baixa de 0,23% no pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), negociado a R$ 2,15. A perspectiva de que a situação política pode complicar-se hoje, com as pressões para que os responsáveis pela quebra do sigilo bancário do caseiro Nildo, sem ordem judicial, sejam identificados e rumores cada vez mais fortes de que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, estaria ameaçado no cargo, ao mesmo tempo em que o Supremo Tribunal Federal definiu-se pela manutenção da verticalização nas eleições deste ano, podem gerar cautela no mercado de câmbio, na manhã desta quinta-feira. Isso interromperia a avaliação feita ontem pelos analistas de que, depois de um ajuste para cima que durou três pregões, o dólar poderia voltar a mostrar preponderância da tendência de queda, apesar das incertezas sobre o comportamento dos juros dos EUA, que poderiam gerar eventuais oscilações pontuais de alta do dólar ante o real. Embora a avaliação do mercado ainda seja de que o cenário econômico não está ameaçado nem mesmo por uma eventual troca de ministro da Fazenda, os especialistas afirmam que a saída de Palocci mexeria fortemente com o mercado. "Com certeza, se o Palocci for demitido, o dólar vai subir rápido e fortemente. Até porque, o mercado está comprado e a alta é favorável, quando os investidores estão nessa posição e qualquer notícia ruim tende a ter impacto", disse um operador. Ainda assim, apesar de as tensões em torno do caso Palocci terem aumentado de ontem para hoje e haver expectativa de que isso gere cautela no câmbio, muitos ainda acreditam que a maior possibilidade é que, depois de toda essa turbulência, o ministro petista se mantenha na Fazenda. Economistas de dois bancos estrangeiros, em nota a clientes, avaliam que as tensões políticas aumentam hoje, mas a probabilidade maior é de permanência de Palocci. O contraponto para as tensões políticas domésticas, esta manhã, vem do exterior. As taxas de juros dos títulos dos EUA operavam em queda e o risco Brasil mostrava estabilidade. Resta saber se isto é suficiente para equilibrar as apreensões provocadas pelos imbróglios de Brasília, mantendo inabalável a avaliação de ontem de que a queda do dólar tenderia a preponderar.

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