Dólar à vista começa o dia em queda

Além da trégua externa, o movimento é amparado pelo aumento da oferta para US$ 500 milhões (10 mil contratos) na operação de rolagem do vencimento de swap cambial de setembro

ANA LUÍSA WESTPHALEN, Estadão Conteúdo

11 de agosto de 2014 | 11h18

Os mercados internacionais têm um dia de trégua nesta segunda-feira, 11, o que abre espaço para uma certa recuperação dos ativos de risco diante da diminuição das tensões geopolíticas na Ucrânia e em Gaza e da agenda fraca no exterior. Por aqui, no mercado de câmbio, o dólar abriu a sessão em queda ante o real, na contramão do exterior. Além da trégua externa, o movimento é amparado pelo aumento da oferta para US$ 500 milhões (10 mil contratos) na operação de rolagem do vencimento de swap cambial de setembro.

Até agora, o BC vinha ofertando diariamente até US$ 400 milhões nessa rolagem, mas decidiu reforçar a oferta, a partir de hoje, após o dólar à vista ter ultrapassado os R$ 2,30 durante a sessão da última sexta-feira, 08. Com a mudança de estratégia, a perspectiva agora é de que o BC poderá resgatar US$ 1,070 bilhão (21.400 contratos ou 10,63% do total) do sistema no início de setembro, em vez dos US$ 2,470 bilhões (49.400 contratos) que seriam retirados pela regra anterior. Em setembro vencem 201.400 contratos de swap, equivalentes a US$ 10,070 bilhões.

Além dessa operação, o BC realizou hoje o leilão programado de até US$ 200 milhões em swap cambial. Há pouco, o dólar à vista operava em baixa de 0,48%, negociado a R$ 2,2740. Na BM&FBovespa, o contrato da moeda para setembro recuava 0,46%, cotada a R$ 2,2865.

No mercado de juros, as taxas oscilam com viés de queda seguindo o comportamento do dólar. No radar, os agentes monitoram o debate sobre reajuste de combustíveis e novas pesquisas eleitorais que devem ser divulgadas ao longo da semana, como a do Datafolha. Há pouco, o DI para janeiro de 2015 estava em torno de 10,85%, na máxima e nivelado ao ajuste de sexta-feira, enquanto o DI para janeiro de 2017 projetava taxa de 11,61%, de 11,66% no ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2021 tinha estava em 11,81%, na máxima, de 11,87% na sexta-feira.

As discussões em torno de um reajustes de preços da gasolina voltaram à tona após o balanço da Petrobras, na sexta-feira, mostrar uma queda de 20% no lucro líquido da estatal no segundo trimestre, para R$ 4,959 bilhões, mesmo com a alta recorde na produção do pré-sal e com um câmbio mais favorável. O impacto foi reflexo da defasagem no preço dos combustíveis. Ontem, a presidente Dilma Rousseff comentou a possibilidade de um reajuste, quando questionada sobre a queda nos resultados da Petrobras. "Necessariamente em algum momento do futuro pode ser que tenha um aumento (dos combustíveis)", disse. A última vez em que houve ajuste nos preços da gasolina foi em novembro do ano passado, de 4%, enquanto o diesel subiu 8% nas refinarias.

Na agenda econômica do dia, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou mais cedo que o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) caiu 0,31% na primeira prévia de agosto, ante recuo de 0,50% em igual leitura do mesmo índice em julho. A taxa ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam taxa entre -0,43% e -0,20%, mas mostrou uma queda maior que a apontada pela mediana das expectativas, de -0,29%.

Na pesquisa Focus, do Banco Central, o mercado fez novas revisões para baixo nas estimativas para o IPCA e para o PIB neste ano. Para a inflação oficial, a previsão de alta passou de 6,39% para 6,26%, enquanto para a projeção para o crescimento da economia do País passou de 0,86% para 0,81%. Para 2015, a estimativa para o IPCA foi ajustada levemente para cima, de 6,24% para 6,25%, com a expectativa para o PIB caindo de 1,50% para 1,20%. Sobre a taxa Selic, as estimativas seguiram em 11% e em 12% neste e no próximo ano, respectivamente.

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