Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Após chegar a R$ 4,21, dólar fecha a R$ 4,15 com atuação do BC

Além da Argentina, que enfrenta crise e elevou juros a 60% ao ano, cenário eleitoral ajudou a pressionar cotação da moeda americana

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 12h05
Atualizado 30 Agosto 2018 | 22h02

Em um dia marcado por uma aversão global a moedas de países emergentes, o dólar chegou a ser cotado a R$ 4,21 nesta quinta-feira, 30, no Brasil. A moeda americana só perdeu força depois que o Banco Central, no início da tarde, injetou US$ 1,5 bilhão no mercado. Ainda assim, o dólar terminou o dia em alta de 0,84%, aos R$ 4,1541

Este é o maior valor para o dólar desde 21 de janeiro de 2016, quando fechou aos R$ 4,17. Nas casas de câmbio, o dólar turismo era vendido acima dos R$ 4,30.

Desde o início do dia, o dólar passava por forte pressão de alta ante as moedas de países emergentes. O alvo da vez dos investidores era a Argentina, que enfrenta grave crise em sua conta corrente e carência de dólares. E elevou os juros a 60 % ao ano para tentar impedir a queda do peso. 

Só que o desconforto em relação à Argentina e a outros emergentes não diminuiu. Tanto que o dólar seguiu em alta superior a 12% ante o peso argentino. No Brasil, o dólar à vista chegou a ser cotado aos R$ 4,21 no início da tarde, o maior valor desde 24 de setembro de 2015.

Além do problema externo, segundo operadores do mercado, a situação piorou no câmbio brasileiro após sondagem do DataPoder360 indicar que Fernando Haddad (PT-SP) pode herdar mais de 30% dos votos de Luiz Inácio Lula da Silva na corrida eleitoral. 

Em meio ao “pânico”, como descreveram alguns profissionais do mercado, o Banco Central injetou US$ 1,5 bilhão no mercado, por meio de um leilão de swaps cambiais – um tipo de contrato cuja venda equivale à negociação de dólares. 

Além disso, o próprio BC alertou, em nota divulgada em seu site, que está atento aos movimentos exagerados da moeda americana. “A intensidade e frequência das intervenções dependerão da dinâmica e das disfuncionalidades observadas no mercado”, disse a instituição. Em outras palavras, o BC deixou claro que novas intervenções podem ocorrer.

A oferta de US$ 1,5 bilhão, que não chega a ser elevada, foi o suficiente para o dólar se acomodar em patamares menores. Profissionais ouvidos pelo Estadão/Broadcast lembraram que, com a operação, o BC passou um aviso aos especuladores. Isso porque quem passou a manhã comprando dólares, esperando altas cada vez maiores, pode ter amargado prejuízos quando a cotação caiu em função do leilão do BC. “A partir do momento em que o dólar rompeu os R$ 4, o mercado já esperava que o BC poderia entrar”, disse Roberto Serra, sócio gestor da Absolute Investimentos. “Como hoje (quinta-feira, 30) foi um dia em que o real teve grande movimento, o BC resolveu dar o primeiro tiro com o swap.” 

Para esta sexta-feira, 31, o BC já anunciou que fará dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra). Serão ofertados até US$ 2,15 bilhões, mas não se trata de dinheiro novo. A operação tem o objetivo de rolar os contratos que vencem em setembro para 5 de novembro e 4 de dezembro deste ano. É uma forma de o BC atuar no mercado, uma vez que, se não fosse feita a rolagem, a oferta de dólar seria reduzida no dia 5 de setembro, na semana que vem, pressionando ainda mais o câmbio. 

Inflação. Com a alta do dólar, as taxas dos contratos de juros futuros negociados na B3 também passaram a refletir nesta quinta-feira, 30, a perspectiva de inflação maior no futuro. “O mercado ainda vê um choque temporário do câmbio, mas pode não haver efeitos de segunda ordem nos preços”, ponderou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

Embora o novo patamar do câmbio já pressione preços de produtos importados, especialmente combustíveis, medicamentos e de alguns alimentos, como a atividade econômica segue fraca, a inflação pode seguir sob controle, segundo especialistas. /COLABOROU DENISE ABARCA

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