Dólar à vista recua; futuro sobe com cenário interno

Moeda norte-americana abriu em queda de 0,28%, negociado a R$ 2,1680, mas subiu para R$ 2,1740  

SILVANA ROCHA, Agencia Estado

21 de outubro de 2013 | 09h53

O dólar no mercado à vista começou a ser negociado nesta segunda-feira, 21, em leve queda, cotado a R$ 2,1680 (-0,28%) no balcão. Em seguida, a moeda registrou uma máxima, a R$ 2,1740 (estável). No mercado futuro, às 9h33, o contrato de dólar para 1º de novembro subia a R$ 2,1805 (+0,23%). Após abrir a R$ 2,1770 (+0,07%), esse vencimento de dólar oscilou de R$ 2,1720 (-0,16%) a R$ 2,1825 (+0,32%).

Expectativas com o leilão do campo de Libra às 14 horas, a pesquisa de demanda do BC às 17 horas para eventual rolagem do vencimento de cerca de US$ 9 bilhões em swap cambial em 1º de novembro e sobre o relatório de emprego dos Estados Unidos que será divulgado amanhã deixam os investidores cautelosos, sem disposição para assumir grandes posições, disse um operador de um banco.

O Banco Central encerrou há pouco o leilão diário de swap cambial, com oferta de até 10 mil contratos (US$ 500 milhões) para 05/03/2014. Além disso, a autoridade monetária realiza no fim da tarde (17h) uma consulta ao mercado sobre demanda de swap cambial para rolagem de contratos em 1/11/2013.

Um operador de corretora de câmbio afirmou que a proximidade do fim de mês indica a possibilidade de um reforço nas remessas de recursos por bancos e empresas para honrar compromissos no exterior, o que pode gerar pressão sobre a formação de preço da moeda norte-americana.

Na semana passada, o mercado lançou dúvidas sobre essa rolagem de swap cambial e também a respeito da continuidade do programa do BC de ofertas de dólares até o fim deste ano. As incertezas surgiram depois que o Banco Central mudou, sem avisar previamente, o horário de comunicação dos leilões diários de swap cambial, dentro do programa anunciado no último dia 22 de agosto de intervenção no mercado de câmbio. Agora, o aviso desse leilão acontece entre 19h30 e 20h30, em vez das 14h30 como vinha sendo feito desde fim de agosto.

Devido ao fluxo cambial negativo superior a US$ 4 bilhões neste mês, os bancos vêm suprindo a demanda por dólares do mercado. Dessa forma, os bancos já detêm uma posição vendida em dólar à vista neste mes acima de US$ 10 bilhões e dependem das ofertas de swap e de linha de dólares para continuarem injetando moeda nos mercados à vista e futuro de câmbio, afirmou o operador do banco já mencionado.

Em relação ao leilão do campo de libra, a expectativa de especialistas é de que a operação dure cerca de apenas meia hora. O governo planeja arrecadar quase o dobro de tudo que já foi pago em rodadas de licitações realizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) até hoje. Desde a primeira rodada de licitações em 1999, os cofres da União arrecadaram R$ 8,9 bilhões. Já o bônus de assinatura de Libra, no pré-sal de Santos, começa em R$ 15 bilhões.

A operação será garantida por um esquema jurídico e de segurança do governo federal. Nos tribunais, o governo driblou a maior parte das ações judiciais que tentavam impedir o evento. Nas ruas da Barra da Tijuca, em frente ao Hotel Windsor, 1,1 mil integrantes das Forças Armadas foram mobilizados para impedir que eventuais protestos atrapalhem o evento. Para garantir a segurança do leilão, foi montada a operação de Garantia da Lei e da Ordem, que vai durar até o fim da noite do dia 21.

No mercado internacional, o dólar sobe frente a outras moedas, à medida que investidores reduzem apostas contra a divisa em meio à espera pela divulgação do relatório de emprego (payroll) dos Estados Unidos referente a setembro amanhã. Os investidores aguardam os dados para avaliar em quanto tempo o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) poderá iniciar a redução do seu programa de compra mensal de ativos para estimular a economia do país.

Na semana passada, os investidores venderam a moeda norte-americana diante da possível desaceleração econômica após a paralisação do governo em meio a um impasse no Congresso dos EUA sobre o teto da dívida norte-americana. Os dados de emprego de setembro já deveriam ter sido divulgados, mas em função da paralisação do governo norte-americano a publicação foi adiada para estar terça-feira.

A mediana das previsões dos economistas consultados pelo The Wall Street Journal sinaliza que a economia dos EUA criou 180 mil postos de trabalho em setembro, em comparação com 169 mil em agosto. Além disso, a taxa de desemprego deve permanecer estável em 7,3%.

Na Ásia, o Japão anunciou um déficit comercial de 932,1 bilhões de ienes em setembro. Esse foi o 15º déficit consecutivo registrado pelo país.

Nesse ambiente, às 9h39, o euro tinha leve baixa, a US$ 1,3675, de US$ 1,3886 no fim da tarde de ontem. O dólar subia a 98,14 ienes, de 97,73 ienes na sexta-feira. A moeda norte-americana também subia em relação a algumas divisas correlacionadas a commodities, como o dólar canadense (+0,03%), a rupia indiana (+0,42%), o peso mexicano (+0,17%), o dólar neozelandês (+0,31%) e o rand sul africano (+0,72%).

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