Dólar à vista sustenta alta com pesquisa do Ibope

Os agentes de câmbio reagem à perda de força nas intenções de voto da candidata do PT, Dilma Rousseff

SILVANA ROCHA, Estadão Conteúdo

17 de setembro de 2014 | 09h57

O dólar à vista começou a sessão em alta, mas já perdeu força, enquanto o contrato futuro de outubro da moeda norte-americana mostra volatilidade desde os primeiros negócios. Os agentes de câmbio reagem à perda de força nas intenções de voto da candidata do PT, Dilma Rousseff, na sondagem do Ibope na terça-feira, 16, à noite, e à reviravolta de expectativas para a reunião do Federal Reserve, que não daria agora um sinal de que os aumentos de juros são iminentes. O encontro de política monetária do Fed termina às 15 horas e será seguido de entrevista da sua presidente, Janet Yellen, às 15h30.

Até lá, as decisões de negócios podem ser influenciadas ainda pelos indicadores dos Estados Unidos, além dos números semanais de fluxo cambial do País, que saem às 12h30. Ontem, o dólar interrompeu a sequência de seis altas seguidas e acumuladas em 4,41%, e fechou em baixa de 0,56% no balcão, a R$ 2,3290. Hoje, a moeda dos EUA retoma o sinal positivo ante o real no mercado à vista em meio ao compasso de espera pelo Fed e também devido à política interna.

As atenções se voltam ainda para o depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que apura irregularidades na estatal, e poderá adicionar combustível à disputa eleitoral. Uma nova rodada de especulações sobre o levantamento do Datafolha, com divulgação prevista a partir de quinta-feira, 18, também poderá agitar a sessão. Ontem à noite, o Ibope manteve o empate técnico no segundo turno entre Marina Silva (PSB), com 43% das intenções de votos, e Dilma com 40%, mas a candidata à reeleição perdeu pontos nas simulações para as duas rodadas do pleito presidencial, enquanto o tucano Aécio Neves subiu quatro pontos no primeiro turno.

Em relação ao Fed, o colunista do Wall Street Journal e especialista no BC norte-americano, Jon Hilsenrath, disse ontem à tarde que o Federal Reserve poderá manter a expressão "período de tempo considerável" no comunicado de política monetária, afastando o temor de que a alta dos juros norte-americanos seja antecipada. Segundo Hilsenrath, o banco central vai ter de mudar esse trecho no comunicado em outubro, porque as palavras estão ligadas as suas compras mensais de títulos, que deverão terminar no próximo mês. "Dado o cenário econômico, eles não querem dar um sinal agora que os aumentos de juros são iminentes", disse Hilsenrath.

Enquanto os investidores globais aguardam este que é o principal evento do dia para os mercados, o ambiente de negócios está positivo no exterior devido ainda à decisão do Banco do Povo da China de injetar 500 bilhões de yuans (US$ 81 bilhões) nos cinco maiores bancos estatais chineses, a fim de conter a desaceleração da economia do país. A notícia interrompeu uma série de oito quedas seguidas da Bolsa de Hong Kong e também beneficiou as demais praças asiáticas, com exceção de Tóquio. O BC inglês (BoE), por sua vez, informou que manteve o placar de 7 a 2 na votação favorável à manutenção do juro britânico no mínimo histórico, revelou a ata divulgada nesta manhã, com os integrantes aguardando mais evidências para dar início ao aperto monetário.

No mercado de câmbio, às 9h44, o dólar à vista estava em alta de 0,13%, a R$ 2,3320 no balcão, após abrir na máxima, a R$ 2,3380 (+0,39%), e de registrar uma mínima, a R$ 2,3280 (-0,04%), durante a venda de cerca de US$ 200 milhões no leilão de swap cambial do BC há pouco. Na BM&FBovespa, no mesmo horário, o dólar para outubro de 2014 estava na mínima, a R$ 2,3360 (-0,43%). Esse vencimento abriu a R$ 2,3430 e, em seguida, registrou máxima a R$ 2,3475 (+0,06%).

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