Carlos Severo/Fotos Públicas
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Dólar sobe para R$ 3,91

Cotação da moeda começou o dia em queda, mas valorizou ao longo do dia, diante da percepção ruim sobre a economia brasileira; Bolsa caiu 0,83%, em dia de pouca negociação

Claudia Violante e Fabrício Castro, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2015 | 18h11

SÃO PAULO - O dólar não conseguiu sustentar a baixa vista pela manhã, influenciada pela expectativa de alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) apenas em 2016 e pela possibilidade de estímulos às economias da Europa e Japão, e terminou em alta. Isso porque os preços mais baixos acabaram atraindo compradores e o movimento de valorização encontrou respaldo também na percepção ruim sobre a economia doméstica.

Assim, o dólar terminou o dia em alta de 1,13%, a R$ 3,918, depois de oscilar entre a mínima de R$ 3,827 e a máxima de R$ 3,924. No mês, a moeda acumula queda de 0,76% e, no ano, alta de 47,37%. No mercado futuro, a moeda para novembro fechou em alta de 0,66%, aos R$ 3,916.

O movimento de baixa de manhã acabou criando uma janela de oportunidade que importadores e especuladores que atuam no mercado futuro aproveitaram. Eles foram às compras e levaram o dólar a renovar máximas sucessivas no período da tarde. Esse movimento para cima tem como pano de fundo a questão fiscal doméstica, cuja meta ainda não foi divulgada, mas já é sabido que será um rombo bilionário, a depender do pagamento integral ou não das pedaladas de 2014. O governo tem até o dia 22 de novembro para anunciar os números, o que pode deixar as incertezas rondando os negócios até lá.

Pela manhã, vale lembrar, ecoava nos negócios os estímulos anunciados pela China na sexta-feira, as promessas de mais medidas na Europa, além da possibilidade de o Banco do Japão (BoJ) também adotar incentivos na próxima sexta-feira, quando anuncia sua decisão de política monetária.

A Bovespa, por sua vez, engatou sua segunda sessão segunda num pregão morno, paralisado pelo noticiário esvaziado de hoje e, sobretudo, pela expectativa com uma agenda recheada nos próximos dias, queda das bolsas estrangeiras e as preocupações com a questão fiscal.

O Ibovespa terminou a sessão em baixa de 0,81%, aos 47.209,32 pontos. Na mínima, marcou 47.105 pontos (queda de 1,03%) e, na máxima, 47.875 pontos (alta de 0,58%). No mês, acumula alta de 4,77% e, no ano, perda de 5,59%. O giro financeiro totalizou R$ 4,334 bilhões, o menor do mês.

"O mercado se arrastou hoje, com a ausência de notícias no final de semana e com a agenda à frente. O cenário externo também não ajudou muito", comentou o analista da Leme Investimentos João Pedro Brugger Martins, ao lembrar do resultado do encontro de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira, da ata do Copom, na quinta, e dos dados fiscais domésticos.

Às 17h37, o Dow Jones caía 0,18%, o S&P cedia 0,22% e o Nasdaq avançava 0,05%.

Vale foi um dos destaques negativos da sessão, penalizada por relatório da Moody's. Segundo a agência de classificação de risco, a desaceleração da China, a recessão no Brasil, as frágeis condições econômicas na Europa e a fraca recuperação dos EUA vão continuar pressionando os preços dos metais básicos em 2016. Por isso, a Moody´s manteve perspectiva negativa para o setor. Vale ON cedeu 3,98% e Vale PNA, 4,21%.

Petrobrás abriu em alta, mas virou e terminou no vermelho. A ON caiu 0,83% e a PN, 1,75%. No começo da sessão, favoreceu a notícia de que o conselho de administração da estatal aprovou a divisão da Gaspetro, sua subsidiária de gás natural, em duas empresas e a venda de 49% de uma delas para a japonesa Mitsui por R$ 1,9 bilhão.

O setor de telefonia terminou o dia entre as maiores altas do Ibovespa, influenciado por notícias de consolidação e também por relatórios favoráveis. Oi PN avançou 6,06%, TIM ON, 5,93% e Vivo PN, 4,29%, as três maiores elevações do índice.

No mercado de juros, as taxas operam com leve viés de queda. 

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