Dólar abre em alta ante o real

Por volta das 9h15, o contrato futuro do dólar para setembro estava na mínima, negociado a R$ 2,0290

Olívia Bulla, da Agência Estado,

27 de agosto de 2012 | 09h42

Às vésperas do discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, e sob a égide do piso informal de R$ 2,00, o dólar deve voltar a oscilar entre margens estreitas ante o real nesta segunda-feira, com ligeiro viés de alta. Ainda assim, o mercado financeiro continua monitorando o Banco Central, que tem esta semana para, se desejar, fazer mais leilões de swap cambial reverso.

Por volta das 9h15, na BM&F Bovespa, o contrato futuro do dólar para setembro estava na mínima, negociado a R$ 2,0290, em queda de 0,10%. Na máxima, subiu 0,05%, a R$ 2,032. No mercado de balcão, por volta do mesmo horário, o dólar à vista abriu em alta de 0,30%, cotado a R$ 2,030, na máxima. Pouco depois das 9h20, o dólar no balcão batia a mínima, a R$ 2,0250, em alta de 0,05%.

Um operador de tesouraria de um banco local não descarta a possibilidade de antecipação, pelo BC, do vencimento de US$ 4,5 bilhões em contratos de swap cambial tradicional - operação equivalente à venda de dólares no mercado futuro - via a realização de leilões de swap cambial reverso - equivalente à compra de dólares no mercado futuro - conforme ocorrido na terça-feira da semana passada.

Para a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares, como a oferta foi anunciada no momento em que o dólar ameaçava chegar a R$ 2,00, o mercado financeiro entendeu que o BC não deseja que a taxa de câmbio recue para abaixo deste patamar. Com isso, destaca ela, a volatilidade do real caiu substancialmente e o dólar encerrou a semana passada com ligeira valorização de 0,44% no acumulado da semana.

Porém, a sequência de eventos relevantes no Brasil e no mundo até sexta-feira pode ampliar o intervalo de oscilação do dólar, instigando o BC. "A eventual consolidação de pressões de baixa no dólar deve gerar novas atuações (da autoridade monetária) para manter o câmbio próximo dos níveis atuais", destaca a economista da AGK, ressaltando que essa premissa estaria em linha com os discursos oficiais recentes de que tal patamar é importante para a recuperação da indústria.

O auge do calendário econômico global fica para sexta-feira, quando o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, discursa no simpósio de Jackson Hole (EUA) e pode tornar mais nítida a intenção do banco central norte-americano de lançar uma nova rodada de afrouxamento monetário quantitativo (QE3). Em outras ocasiões, neste mesmo evento, Bernanke acenou com medidas de estímulo econômico.

Por enquanto, o euro ganha terreno ante o dólar, mas a moeda norte-americana avança em relação ao iene e às principais moedas correlacionadas com commodities. Às 9h10, o euro subia a US$ 1,2526, de US$ 1,2512 no fim da tarde de sexta-feira em Nova York. Já o dólar subia a 78,75 ienes, de 78,70 ienes ao final da semana passada, e avançava 0,33% ante o dólar australiano; ganhava 0,34% ante a rupia indiana e tinha alta de 0,23% ante o rand sul-africano. Entre as bolsas, os índices futuros de Nova York apontam para um início de dia em alta, em linha com os ganhos verificados nos mercados acionários europeus.

Aqui no Brasil, o destaque fica para a reunião de política monetária do Banco Central, que anuncia, na noite de quarta-feira, a atualização da taxa básica de juros (Selic). A dúvida é se o corte esperado de 0,50 ponto porcentual será o último do ciclo de afrouxo iniciado há um ano, ou se o Comitê de Política Monetária (Copom) irá sinalizar uma nova queda em outubro.

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