Dólar abre em alta com BC, Fed e cenário político

O mercado de câmbio continuará pautado pelas apreensões em relação ao resultado da reunião do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) que ocorre amanhã, pelo noticiário político e pela avaliação sobre a postura do Banco Central, que tem demonstrado maior agressividade em suas atuações diárias no mercado à vista. Os três são fatores de alta das cotações do dólar, trajetória confirmada na abertura dos negócios desta terça-feira. A moeda norte-americana abriu com ganho de 0,29%, a R$ 2,076, no pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Os operadores ressaltam, no entanto, que hoje o ambiente externo tende a ganhar peso maior. Por volta das 9 horas, as taxas de juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos mostravam elevação, refletindo a incerteza dos investidores em relação ao futuro da política monetária do país. Para a reunião do Fed de amanhã, os analistas fecharam questão em torno do aumento de 0,25 ponto porcentual nas taxas de juros para 5% ao ano. Porém, muitas dúvidas cercam as apostas para o próximo passo que dará o a autoridade monetária norte-americana, na reunião de 29 de junho. No mercado doméstico criou-se a idéia de que as incertezas sobre a trajetória das taxas dos EUA cresceram com a troca de Alan Greenspan por Ben Bernanke. O segundo é considerado menos discreto e claro do que seu antecessor. Assim, a expectativa em relação ao conteúdo do comunicado que acompanhará o anúncio da nova taxa de juros dos EUA, amanhã, fica ainda maior. Também tendem a crescer as reações aos dados da economia norte-americana divulgados diariamente. Hoje, serão anunciados o relatório semanal LJR Redbook, com o desempenho do comércio varejista na semana até 6 de maio (às 9h55) e os dados de vendas e estoques no atacado em março às 11 horas. Os investidores e analistas também devem acompanhar o desenrolar do leilão do Tesouro dos EUA, de US$ 21 bilhões em títulos de 3 anos, cujo resultado deve sair às 14 horas. A tendência é de que ele mexa com o mercado, ainda que momentaneamente. No Brasil, os olhos continuarão votados para o cenário político e os desdobramentos das novas denúncias feitas pelo ex-secretário do PT, Sílvio Pereira. De qualquer forma, prevalece a idéia de que esses fatos afetam mais a legenda que o presidente Lula. O mercado vai ficar também de olho no banco Central. Nos três últimos dias úteis a autoridade monetária comprou volume maior de dólares no habitual leilão de compra no mercado à vista. Operadores avaliam que muitos investidores estão aproveitando a disposição do Banco Central para reduzir posições vendidas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.