Dólar abre em alta e foco no Federal Reserve

No mercado de câmbio doméstico, o dólar abriu em alta ante o real, nesta quarta-feira, 20, em linha com a valorização generalizada da moeda dos Estados Unidos no exterior. A demanda defensiva antecede a divulgação, às 15 horas, da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve. A expectativa é de que o documento traga pistas sobre as estratégias de saída dos estímulos nos Estados Unidos, bem como sinais quanto ao processo de normalização das taxas dos Fed Funds. Há pouco, o dólar à vista no balcão exibia alta de 0,09%, negociado a R$ 2,2530. Na BM&FBovespa, a moeda para setembro avançava 0,22%, cotada a R$ 2,2600.

ANA LUÍSA WESTPHALEN, Estadão Conteúdo

20 de agosto de 2014 | 10h21

A divulgação mais cedo hoje da ata da reunião do Banco da Inglaterra de agosto deixou os investidores apreensivos, porque a decisão pela manutenção do juro básico em 0,5% e dos estímulos à economia não foi unânime e dois membros votaram pelo início da alta de juros. Desse modo, crescem as expectativas pelo documento do Fed, hoje à tarde, porque é possível que a instituição reforce o cenário de que se aproxima o momento de elevação dos juros, ainda que não seja no curto prazo, diante do otimismo recente com a economia.

A quarta-feira começou agitada no mercado doméstico, com o Banco Central anunciando mudanças nas regras do recolhimento compulsório sobre recursos a prazo. As novas regras, que estão sendo detalhadas por técnicos da autoridade monetária, podem resultar em uma injeção de liquidez de R$ 10 bilhões no sistema financeiro. Também saiu há pouco a prévia do índice oficial de inflação no País, o IPCA-15, que veio dentro do esperado, ao subir 0,14% em agosto, após alta de 0,17% em julho, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o IPCA-15 acumula taxas de 4,32% no ano e de 6,49% em 12 meses até agosto.

Sobre as novas medidas, o BC alterou as regras do recolhimento compulsório sobre recursos a prazo, mudando os procedimentos de cálculos referentes à ponderação de risco. Segundo a autoridade monetária, o compulsório a prazo poderá ser feito com dedução de letras financeiras e será permitido que operações com veículos (motocicletas e automóveis) sejam descontadas dos compulsórios. Essas novas regras permitem que até 60% do recolhimento sejam cumpridos com operação de crédito e restabelecem em 75% o fator de ponderação de risco (FPR) para operações de varejo.

Além disso, o BC ampliou critérios de exposição e receitas máximas para classificar operações como varejo e também reduziu fatores de conversão em crédito de operações de comércio exterior e de garantias de performance. Segundo a autoridade monetária, as medidas podem ampliar crédito a pequenas empresas e fortalecer o comércio exterior. O objetivo das medidas anunciadas hoje, ainda conforme o BC, é incrementar a eficiência do sistema e salvaguardar sua resiliência.

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