Dólar abre em alta, em linha com 'moedas commodities'

Há certo ‘respeito’ em relação à vigilância do governo quanto ao comportamento da moeda

Olivia Bulla, da Agência Estado,

17 de agosto de 2012 | 09h45

Assim como ontem, quando o mercado doméstico de câmbio passou ao largo da agitação observada nos contratos de juros futuros e ações diante dos primeiros sinais de recuperação da economia brasileira, o dólar deve relegar novamente um novo indício de melhora da atividade e ganhar terreno ante o real. O movimento tende a acompanhar a desvalorização das principais moedas correlacionadas com commodities verificada no exterior.

Por volta das 9h20, na BM&F Bovespa, o contrato futuro do dólar para setembro de 2012 subia 0,17%, a R$ 2,0275, depois de oscilar entre uma máxima a R$ 2,0295 (+0,30%) e uma mínima a R$ 2,0265 (+0,15%). Já o dólar à vista negociado no balcão era cotado a R$ 2,0210, na mínima, em alta de 0,10%, após cravar máxima a R$ 2,0220 (+0,15%).

Segundo um operador da mesa de tesouraria de um banco local, a surpresa positiva com os resultados das vendas no comércio varejista em junho e a geração de emprego com carteira assinada em julho, divulgados ontem, favorecem um real mais forte. Nesta sexta-feira, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostrou recuperação da economia em junho, depois dos baixos resultados do mês anterior. O IBC-Br registrou em junho alta de 0,75% na comparação com maio, na série com ajuste sazonal.

Esses números, acredita o profissional, podem explicar por que a moeda norte-americana vem sendo negociada perto do piso da banda informal percebida pelo mercado financeiro, a R$ 2,00. Porém, ressalta ele, ainda não há indicadores econômicos suficientes para forçar um rompimento deste patamar. "A melhora da atividade ainda se dá de maneira incerta e em ritmo moderado", diz, acrescentando que há certo "respeito" pelos investidores em relação à vigilância do governo quanto ao comportamento da moeda.

O operador chama a atenção para as declarações a serem proferidas pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em evento previsto para esta sexta-feira, às 12h, na capital paulista. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também está em São Paulo.

Com isso, o mercado doméstico de câmbio deve seguir o comportamento das moedas negociadas no exterior, onde o dólar ganha valor. No horário acima, o dólar norte-americano subia 0,85% ante o dólar australiano; avançava 0,57% ante o dólar neozelandês; e crescia 1,48% ante o rand sul-africano.

Já o euro apagou os ganhos iniciais em relação ao dólar e caía a US$ 1,2349, de US$ 1,2358 no fim da tarde de ontem em Nova York, em meio à falta de novidades sobre os planos para solucionar a crise das dívidas na região da moeda única. As férias de verão no hemisfério norte também reduzem o volume de negócios.

Aqui no Brasil, operadores comentam que o movimento grevista que atinge vários segmentos do setor público também vem contribuindo para reduzir a liquidez dos negócios. Ontem, porém, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liminar proibindo a operação-padrão dos servidores da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Ainda assim, não se sabe avaliar ao certo a importância exata dessa influência.

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