Dólar abre em alta, mas desacelera após leilão do Banco Central

Moeda norte-americana reagiu à venda integral  dos contratos de swap cambial no leilão diário

Silana Rocha, da Agência Estado,

22 de outubro de 2013 | 11h25

O dólar no mercado à vista abriu nesta terça-feira, 22, em leve alta, cotado a R$ 2,1860 (+0,37%) no balcão. Às 9h47, a moeda registrou uma mínima, a R$ 2,1850 (+0,32%), reagindo à venda integral de swap cambial no leilão diário. A máxima até o momento foi de R$ 2,1880 (+0,46%). No mercado futuro, às 9h58, o contrato de dólar para novembro de 2013 subia a R$ 2,1895 (+0,37%), após oscilar de R$ 2,1890 (+0,34%) a R$ 2,1965 (+0,69%).

O ajuste positivo das cotações acompanha o viés de alta exibido pelo dólar ante o euro e o iene em meio a expectativas dos investidores pelos dados de emprego nos EUA em setembro. Nesta manhã, o BC concluiu o leilão diário de swap cambial, no qual vendeu o lote integral de US$ 10 mil contratos (494,9 milhões) para 1/7/2014. A taxa nominal ficou em 1,5028% e a linear, em 1,487%. O dólar à vista reagiu com desaceleração dos ganhos.

O início, hoje, da rolagem do próximo vencimento de aproximadamente US$ 9 bilhões em contratos de swap cambial e a dúvida se essa rolagem será ou não integral também devem influenciar as decisões de negócios, segundo operadores do mercado. A previsão dos agentes de câmbio é de uma necessidade de rolagem de US$ 8,9 bilhões em swaps que vencem em 1º de novembro e que o BC poderá fazer várias tranches para concluir essa operação.

Na largada dessa rolagem, hoje, o Banco Central fará um leilão de até 20 mil contratos (US$ 1 bilhão) que vencem no próximo dia 1º de novembro. A operação será das 14h30 às 14h40, com resultado a partir das 14h50. Os vencimentos dos contratos serão em 1º de julho e 1º de outubro de 2014 e a distribuição das ofertas ficará a cargo do BC. Essas condições do leilão foram definidas no fim da tarde de ontem, depois que o Banco Central realizou uma pesquisa de demanda por swaps.

De acordo com o BC, as condições para novas tranches dessa rolagem só serão conhecidas na véspera de cada um dos três dias também previstos para as possíveis operações (além de hoje, os dias 23 e 24).

Para calibragem dessa rolagem, segundo um operador de câmbio de um banco, o BC deve considerar o ingresso de recursos no Brasil para cobrir o bônus de assinatura do leilão do campo de Libra do pré-sal, que foi realizado ontem e que deve trazer cerca de R$ 9 bilhões (praticamente metade do valor da rolagem) para o mercado. A liquidação dessas entradas desses recursos será na terça-feira da próxima semana, dia 29 de outubro. Com isso, os ingressos desses recursos devem ocorrer até esta sexta-feira, 25.

O estrategista-chefe do banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, disse que o câmbio pode oscilar perto da estabilidade até a divulgação do payroll norte-americano e depois vai definir um rumo. Segundo ele, o BC deseja uma taxa de câmbio em torno de R$ 2,15 e R$ 2,20. "Abaixo disso incomoda porque não beneficia as empresas exportadoras e, acima desses níveis, o BC fica sem margem para administrar o cambio quando ele voltar a se aproximar de R$ 2,40 em decorrência da previsão de redução de estímulos nos EUA", comentou. Para Rostagno, a autoridade monetária quer manter o câmbio estável nessa faixa R$ 2,15/R$ 2,20) porque permite um equilíbrio melhor entre crescimento econômico e inflação.

Em relação aos dados de emprego dos EUA, o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, afirmou na segunda-feira, 21, que o banco central norte-americano precisará de pelo menos "alguns meses" de informações econômicas antes de decidir se deve diminuir os estímulos monetários. O economista-chefe da Schroders, Keith Wade, disse que "precisaremos ver um número bastante forte para que tenha impacto significativo sobre a política monetária adiante".

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