Dólar abre em alta, mas perde força com exterior

Logo após o início dos negócios, a moeda dos EUA testou à máxima intraday de quatro anos, antes de voltar para a estabilidade

Fernando Travaglini, da Agência Estado,

30 de julho de 2013 | 10h18

O dólar abriu em alta na manhã desta terça-feira com os investidores de olho tanto no mercado externo, onde reina a cautela antes da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), quanto na disputa interna pelo fechamento da Ptax, nesta quarta-feira, 31. Logo após o início dos negócios, a moeda dos EUA testou à máxima intraday de quatro anos, antes de voltar para a estabilidade.

Às 9h51, o dólar à vista no balcão estava estável, a R$ 2,2690, na mínima do dia. Pouco antes, a moeda havia atingido R$ 2,2780 (+0,40%), maior cotação intraday desde 1.º de abril de 2009, quando havia chegado a R$ 2,3080, segundo levantamento do AE Dados. O dólar futuro para agosto caía 0,02%, para mínima a R$ 2,2715, após testar uma máxima de R$ 2,2780 (+0,26%).

Na sessão desta segunda-feira, 29, o dólar fechou em alta pela segunda sessão seguida ante o real, seguindo o mercado externo. O dólar à vista negociado no mercado de balcão fechou em alta de 0,62%, a R$ 2,2690. No mercado futuro, o dólar para agosto fechou cotado a R$ 2,2720, em alta de 0,58%, na máxima da sessão.

Há dois vetores que direcionam o câmbio no pregão desta terça-feira. De um lado, os investidores estão cautelosos em praticamente todos os mercados ao redor do globo em função da reunião de dois dias do Fed, que começa nesta terça. A percepção de que o Fed pode dar novas pistas sobre sua política monetária acomodatícia faz com que o dólar permaneça de lado em relação ao euro e ao iene nesta manhã.

Ao mesmo tempo, no Brasil, os bancos e fundos nacionais e investidores estrangeiros devem intensificar a batalha em torno do fechamento da Ptax de amanhã, taxa oficial do Banco Central que serve de referência para os ajustes e fechamentos dos contratos derivativos que vencem na quinta-feira, 1.º de agosto.

Na manhã de hoje, no exterior, os sinais são contrários. O dólar devolve parte do terreno conquistado na véspera ante o iene, enquanto é negociado em forte alta ante a moeda australiana, após comentários vindos do Banco Central da Austrália (RBA), de que a inflação no país não impede novos cortes na taxa básica de juros.

O dólar sobe ante boa parte das moedas de países com elevada dependência de commodities, mas perde espaço ante o euro, em função de dados positivos do sentimento econômico na Europa e um leilão bem sucedido de títulos italianos. Além disso, a China voltou a injetar recursos no sistema bancário, depois de estar fora das operações de mercado aberto por mais de cinco semanas.

Os investidores estão cautelosos antes da decisão de política monetária do Fed, na quarta-feira. Embora o mercado espere a manutenção do programa de compra de bônus do Fed neste encontro, os investidores aguardam indicações sobre quando os incentivos começarão a ser retirados. As especulações também giram em torno do sucessor do atual presidente, Ben Bernanke.

Nesta quarta, os EUA também divulgam o Produto Interno Bruto (PIB) preliminar do segundo trimestre do ano e, na sexta-feira, 2, o relatório oficial do mercado de trabalho (payroll) referente a julho. Por aqui, a disputa pela Ptax deve se intensificar às vésperas do fechamento de amanhã. A taxa Ptax de ontem fechou em R$ 2,2609, com alta de 0,54% em relação ao fechamento de sexta-feira (R$ 2,2488).

Os fundos e os investidores estrangeiros seguem comprados liquidamente em derivativos cambiais (cupom cambial e dólar futuro), enquanto os bancos estão vendidos líquidos. Estar comprado nesses contratos significa uma aposta na alta do dólar e vendido, na queda. As estratégias desses agentes financeiros levam em conta as incertezas sobre o futuro dos estímulos à economia dos Estados Unidos, os sinais de desaceleração do crescimento da China e o fluxo cambial negativo no Brasil desde junho.

Vale lembrar que, na última sexta-feira, 26, o BC concluiu a rolagem dos contratos de swap que vencem no início de agosto. O processo de rolagem começou no dia 18 e foi até o fim da semana passada, com um adicional de cerca de US$ 250 milhões colocado no mercado futuro por meio do swap da sexta-feira. Mas o BC não costuma atuar nos últimos dias do mês.

Tudo o que sabemos sobre:
Dólar

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.