Dólar abre em alta sob cautela com Europa

A cautela que antecede a reunião de cúpula da União Europeia, na quinta e sexta-feira, e expectativas de que o Banco Central faça um leilão para rolagem do próximo vencimento em 2/7 de cerca de 58.500 contratos de swap cambial (cerca de US$ 2,9 bilhões) voltam a determinar a formação de preço do dólar no mercado doméstico.

SILVANA ROCHA, Agencia Estado

26 de junho de 2012 | 10h44

Como grande parte dos agentes financeiros carrega posição comprada em dólar neste fim de mês e de semestre e também persiste o ceticismo externo sobre os resultados do encontro de líderes europeus, a tendência de alta para o dólar se mantém.

No entanto, na segunda-feira houve um descompasso entre os preços de fechamento do dólar à vista (com leve alta de 0,05%, a R$ 2,066) e do dólar julho/2012 (em ligeira queda, de 0,24%, a R$ 2,0645). Por isso, o mercado à vista começou os negócios ajustando essa distorção.

O dólar à vista no balcão abriu com leve queda de 0,05%, a R$ 2,0650 e, em seguida, testou uma mínima de R$ 2,060 (-0,29%). Às 10h07, no entanto, a moeda spot já devolvia as perdas e, às 10h30, atingiu uma máxima de R$ 2,0770, alta de 0,53%. O ajuste positivo da moeda no balcão representa um alinhamento aos preços futuros, que estão em alta e renovando máximas sequenciais. Às 10h30, o dólar julho/2012 exibia ganho de 0,61%, a R$ 2,0770, após oscilar de uma máxima de R$ 2,0790, alta de 0,70 a uma mínima de R$ 2,0610 (-0,17%), registrada logo após a abertura.

Temendo o fracasso da cúpula de líderes, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, pediu nesta terça-feira um "grande avanço" na integração europeia. Em um discurso que define os elementos de um relatório que está sendo preparado com outros líderes da UE, Barroso disse que sua proposta "aproveita o momento...e identifica os principais componentes para a construção desse esforço." O relatório será apresentado na reunião de líderes europeus em Bruxelas, mas Barroso alertou para as expectativas muito altas com uma única reunião.

Diante desse alerta, dificilmente deve mudar a percepção do mercado de que os líderes europeus podem não chegar a um acordo sobre propostas consideradas essenciais para resolver a crise da zona do euro. Entre elas, a formação de uma união bancária, o estabelecimento de um sistema comum de garantia de depósitos, o uso dos programas de crédito emergencial e o relaxamento das exigências de austeridade para os países que recebem ajuda.

Em preparação para a cúpula da União Europeia, o ministro de Finanças da França, Pierre Moscovici, reúne-se nesta terça-feira à noite em Paris com os ministros de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, da Espanha, Luis de Guindos, e da Itália, Mario Monti. Além disso, segundo Moscovici amanhã o presidente francês, François Hollande, vai se encontrar com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, também para definir detalhes da cúpula.

Nas palavras do ministro francês, o encontro dos líderes da UE vai definir as bases para a segunda fase do euro como a moeda comum do bloco. Ele acrescentou que as instituições europeias precisam mostrar que é possível atingir uma maior integração bancária, financeira e orçamentária, além de incentivar o crescimento. Moscovici defende que toda esse discussão para um maior integração eventualmente levará à criação de um bônus comum da zona do euro (eurobônus).

O mercado, porém, parece duvidar disso. Tanto que, às 10h31, o euro recuava a US$ 1,2479, após atingir mínima de US$ 1,2456, ante US$ 1,2504 no fim da tarde de ontem. A máxima da moeda única europeia até o momento foi de US$ 1,2533.

Mais cedo, os investidores voltaram a exigir taxas de retorno (yield) mais altas em leilões primários de títulos da Espanha e da Itália, que estão no centro das preocupações atuais dos mercados. No caso espanhol, a demanda no leilão também diminuiu e, para o lote de títulos espanhóis para o prazo de três meses, o yield médio saltou de 0,846% para 2,362%.

Na Itália, o banco Monte dei Paschi di Siena - o terceiro maior do país em ativos -, informou que poderá buscar mais de 3 bilhões de euros em ajuda do governo para reestruturar um empréstimo de 1,9 bilhão de euros feito em 2009. O objetivo é o de levantar capital extra para compensar o risco de perdas em sua carteira de títulos do governo italiano, informou nesta terça-feira o jornal econômico Il Sole 24 Ore. A decisão ocorre um dia depois do pedido de ajuda da Espanha para recapitalizar seu sistema financeiro e também do rebaixamento pela Moody''s de dos ratings da dívida de longo prazo de 28 bancos espanhóis. Enquanto isso, os dados de confiança do consumidor ficaram estáveis na França neste e tiveram discreta melhora na Alemanha.

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