Dólar abre em alta sob cautela de investidor

Possível aperto de liquidez por parte do governo chinês limitam também apetite de investidores

Silvana Rocha, da Agência Estado,

24 de outubro de 2013 | 11h13

Preocupações com um aperto de liquidez pelo governo da China limitam nesta quinta-feira, 24, a reação dos investidores à alta do PMI industrial chinês acima do esperado em setembro. Além disso, na semana que vem haverá reunião de política monetária do Fed na terça, 29, e quarta-feira, 30, e estaria programada no Brasil por um grande banco uma saída forte, possivelmente pela conta financeiro e no dia 29.

Diante disso, os agentes de câmbio no Brasil tendem a manter certa cautela. Mas esses profissionais já devem contabilizar na abertura da sessão em instantes a emissão externa do Tesouro ontem, de US$ 3,2 bilhões, que apesar de não passar pelo mercado e ter tido uma taxa de retorno mais alta, poderá favorecer novas emissões corporativas.

A rolagem até agora parcial do vencimento de swap cambial de 1º de novembro e a realização hoje da terceira tranche programada deste certame também estão na conta do mercado e podem ajudar a dar sustentação à taxa de câmbio, disse o gerente de câmbio de uma corretora, destacando que a não rolagem total já está prevista pelo mercado. Na prática, a rolagem parcial representa retirada de recursos do mercado, o que pode dar suporte ao dólar, comentou o mesmo operador.

O dólar à vista abriu em alta, a R$ 2,200 (+0,50%) no balcão. Às 9h27, a moeda registrou uma mínima, a R$ 2,1990 (+0,46%) no balcão. No mercado futuro, às 9h27, o dólar para novembro de 2013 subia 0,23%, a R$ 2,2010. Esse vencimento oscilou até agora de R$ 2,1965 (+0,02%) a R$ 2,2065 (+0,48%), após abrir a R$ 2,1980 (+0,09%).

O ajuste positivo inicial da moeda norte-americana contrasta com o desempenho quase "lateral" registrado no exterior. A forte agenda diária de indicadores dos EUA deve dar um rumo mais claro aos negócios lá fora, disse o mesmo operador já citado. Ele destacou mais cedo que o mercado tenderia a ajustar na abertura a taxa de câmbio ao fechamento de ontem, quando o dólar à vista fechou a R$ 2,1890, enquanto o dólar para novembro terminou mais alto, a R$ 2,1960.

O calendário norte-americano prevê divulgações de dados sobre pedidos de auxílio-desemprego na semana até 19 de outubro (a expectativa é de 340 mil pedidos) e do saldo comercial do país em agosto (previsão de déficit de US$ 39,4 bilhões). A Markit anuncia o Índice preliminar de atividade dos gerentes de compras (PMI) industrial de outubro (em setembro ficou em 52,8); o Departamento de Comércio anuncia as vendas de moradias novas em setembro (média anualizada), cuja estimativa é de 430 mil unidades (+2,1%); e, às 13 horas, o Fed de Kansas City informa o Índice de atividade industrial regional de Outubro.

No Brasil, na quarta-feira, 23, o governo brasileiro captou no mercado internacional US$ 3,2 bilhões em títulos com vencimento em 2025. Embora o valor vendido tenha sido maior dos que os US$ 2 bilhões esperados, o Tesouro pagou mais para vender seus papéis. A taxa de retorno ao investidor de 4,305% foi a maior desde julho de 2010, com custo maior para o governo. O spread do papel também ficou mais salgado, em 180 pontos-base acima dos títulos americanos, o maior valor desde maio de 2009. A demanda dos investidores superou US$ 7 bilhões.

Na terceira tranche de rolagem de swap cambial hoje às 14h30, o Banco Central ofertará mais US$ 1 bilhão, totalizando US$ 3 bilhões. Esse lote representa 33,7% dos vencimentos no valor de US$ 8,9 bilhões previstos para o dia 1º de novembro. Dessa oferta, US$ 2 bilhões foram vendidos na terça-feira, 22, e na quarta-feira, 23, por meio de 40 mil Contratos.

Na China, O resultado preliminar do índice dos gerentes de compras (PMI) da indústria chinesa medido pelo HSBC avançou para 50,9 em outubro, em comparação com 50,2 em setembro. Já o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) vai retirar 58 bilhões de yuans (US$ 9,5 bilhões) líquidos do sistema bancário do país nesta semana, depois de interromper suas operações regulares de mercado aberto pela segunda semana consecutiva. O PBoC não fará operações com seus acordos de recompra de títulos nesta quinta-feira, disseram operadores.

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