Dólar abre em queda ajudado por PIB chinês

Moeda americana no mercado à vista abriu enfraquecida, cotada a R$ 2,1520 , queda de 0,46% no balcão

Silvana Rocha, da Agência Estado,

18 de outubro de 2013 | 10h09

O mercado de câmbio brasileiro abriu nesta sexta-feira, 18, com o dólar em baixa. Além do crescimento chinês de 7,8% no terceiro trimestre sustentar a demanda por moedas consideradas mais arriscadas, como o euro e algumas divisas correlacionadas a commodities (dólar australiano, dólar neozelandês e rand da África do Sul), alguns agentes financeiros já dão como praticamente certa a continuidade dos estímulos à economia dos EUA até o primeiro trimestre de 2014. Essa perspectiva desestimula a procura por dólar, disse um operador de uma corretora.

Com isso, a moeda americana no mercado à vista abriu enfraquecida, cotada a R$ 2,1520 (-0,46%) no balcão. Até 9h57, o dólar no balcão oscilou de uma mínima de R$ 2,1490 (-0,60%) a uma máxima, de R$ 2,1590 (-0,14%).

No mercado futuro, no mesmo horário acima, o contrato de dólar para novembro de 2013 estava cotado a R$ 2,1650 (+0,21%), de uma máxima, a R$ 2,1670 (+0,30%). Esse vencimento futuro registrou uma mínima de R$ 2,1540 (-0,30%). A taxa de abertura foi de R$ 2,1570 (-0,16%)

Hoje pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,48% em outubro, após subir 0,27% em setembro. O resultado ficou acima do teto das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo AE Projeções, que esperavam inflação entre 0,36% e 0,46%, com mediana de 0,42%. Com o resultado anunciado hoje, o IPCA-15 acumula altas de 4,46% no ano e de 5,75% em 12 meses até outubro.

De acordo com um operador de tesouraria de um banco, o resultado do IPCA-15 reforça a necessidade de cuidado do Banco Central com o controle da inflação. Mesmo assim, segundo ele, o dado em si não mexeu com a formação de preço do câmbio interno neste início de sessão, ao contrário do que ocorreu ontem com a divulgação da ata da última reunião do Copom, que elevou a Selic em 0,50 pp, para 9,5% ao ano. "O documento do BC sinalizou para mais um aumento do juro básico em novembro, o que de certa tranquilizou os investidores em relação à inflação de 2014, comentou.

Mais cedo, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou que a segunda prévia do IGP-M de outubro subiu 0,91%, abaixo da taxa de 1,36% registrada na segunda prévia de setembro. O resultado ficou perto do teto das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE-Projeções, que esperavam alta entre 0,65% e 0,92%, e se posicionou acima da mediana das expectativas (+0,83%).

Ao longo do dia, o mercado de câmbio também acompanha o leilão de linha semanal do Banco Central de até US$ 1 bilhão. A operação de venda de dólares conjugados com recompra acontece das 11h30 às 11h35 e a taxa de câmbio a ser utilizada para a venda por parte do BC será a Ptax do boletim das 11 horas desta sexta-feira. As operações de venda do Banco Central serão liquidadas no dia 22 de outubro de 2013 e a data da liquidação das operações de compra do BC será 2 de julho de 2014. Serão aceitas até três propostas por instituição para cada uma das ofertas.

A movimentação dos investidores que participarão do primeiro leilão do pré-sal, na próxima segunda-feira (21), também está no radar dos agentes de câmbio, dada a expectativa de participação de players estrangeiros. Além da Petrobras, que participa obrigatoriamente como operadora, com um mínimo de 30% no consórcio vencedor, inscreveram-se outras onze empresas. Entre elas, estão no páreo a anglo-holandesa Shell, a portuguesa Galp, a sino/espanhola Repsol-Sinopec, a estatal malaia Petronas, a japonesa Mitsui, a indiana ONGC, a francesa Total, a colombiana Ecopetrol e as chinesas CNOOC e CNPC.

Sozinha, a área de Libra tem estimados 8 bilhões a 12 bilhões de barris, enquanto todas as reservas provadas do Brasil somam 15,3 bilhões de barris. O bônus de assinatura, a ser pago à vista, tomará R$ 15 bilhões - anteriormente, previa-se R$ 10 bilhões. A cifra foi elevada pelo governo para contribuir com o cumprimento da meta de superávit das contas públicas. A ANP estima em R$ 400 bilhões os investimentos necessários em Libra ao longo dos 35 anos de concessão.

A diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, em entrevista ao Broadcast Ao Vivo, disse estar "bastante satisfeita" com o número de empresas inscritas a participar do leilão de Libra, a primeira área que o governo irá licitar do pré-sal. De acordo com Magda, o porte de Libra (estimativa de 8 bilhões a 12 bilhões de barris recuperáveis) demanda investimentos grandes, de empresas igualmente robustas. A reguladora destacou que 7 das 11 empresas inscritas estão entre as 12 maiores do mundo em valor de mercado.

Na China, o resultado do PIB do terceiro trimestre ficou em linha com as estimativas do mercado, mas avançou frente ao crescimento de 7,5%, registrado entre abril e junho deste ano, informou o escritório nacional de estatísticas do país. O aumento ficou em linha com a média das previsões dos 18 analistas consultados pela Dow Jones Newswires. Entre julho e setembro, a economia chinesa cresceu 2,2% frente ao trimestre imediatamente anterior.

A expansão chinesa do terceiro trimestre foi assegurada por um aumento de 10,2% da produção industrial da China em setembro na comparação com o mesmo período do ano passado. Em agosto, a expansão anual havia sido de 10,4%, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas do país. O país asiático também produziu 3,45 milhões de toneladas de metais básicos em setembro, um aumento de 10,1% ante o mesmo mês do ano Anterior. A produção nos primeiros nove meses subiu 9,8% na comparação anual, para 29,69 milhões de toneladas. Já o indicador que mede as vendas no varejo da China registrou alta de 13,3% em setembro em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi ligeiramente inferior ao verificado em agosto (+13,4%).

Em Nova York, às 9h59, o dólar caía para 97,73 ienes, de 97,93 ienes no fim da tarde de ontem, enquanto o euro subia levemente para US$ 1,3677, de US$ 1,3675, depois de atingir a máxima de US$ 1,3705. A moeda norte-americana também recuava diante do dólar australiano (-0,27%), do dólar neozelandês (-0,05%)e do rand sul africano (-0,45%). De outro lado, o dólar dos EUA já subia ante o dólar canadense (+0,04%), o peso chileno (+0,23%), o peso mexicano (+0,10%) e a rupia indiana (+0,27%).

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