Dólar abre em queda de 0,41% na BM&F, a R$ 2,19

O dólar à vista abriu em queda de 0,41% no pregão da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), cotado a R$ 2,19. O mercado de câmbio, que vinha acompanhando a melhora geral observada no ambiente de negócios desde a semana passada, voltou a ser pressionado ontem pela turbulência externa. E a expectativa é que os investidores continuem mantendo a cautela entre hoje e amanhã. Os mercados registram uma leve melhora no exterior nesta manhã, mas seguem na defensiva, em razão sobretudo da divulgação amanhã do relatório de emprego nos EUA. Se o dado mostrar um crescimento forte da criação de vagas de trabalho, o temor de altas adicionais dos juros americanos deve crescer. No caso específico do câmbio, o efeito mais direto dos juros americanos é sobre o fluxo. Vale lembrar que os dados do fluxo cambial anunciados ontem pelo Banco Central já mostraram um impacto expressivo da turbulência externa. O BC informou que o fluxo cambial de junho ficou negativo em US$ 2,676 bilhões. Foi a primeira vez que o fluxo mensal ficou negativo desde setembro de 2005, quando foi negativo em US$ 1,298 bilhão. Havia perspectiva de normalização do fluxo a partir deste mês com os sinais de melhora externa. Mas o novo repique de volatilidade visto ontem comprova que esta a melhora externa verificada já a partir dos últimos dias de junho ainda não podia ser considerada consistente, pois o mercado ainda não sabe até onde vai o ciclo de alta dos juros internacionais. No exterior, a maior expectativa é com o relatório de emprego nos EUA amanhã, mas a agenda de hoje também é forte e tem potencial de impacto nos negócios. Como esperado, os BCs europeu e inglês mantiveram suas taxas de juros inalteradas hoje, mas o processo de aperto monetário global continuou na Islândia e espera-se elevação dos juros no Japão semana que vem. Nos EUA, o dia conta com números de auxílio-desemprego, pesquisa de demissões e estoques de petróleo. Além do cenário externo, o mercado cambial também deve continuar monitorando o Banco Central. Ontem o BC não atuou na compra, o que se explica pela volta da volatilidade. Se o dólar estava subindo naturalmente pelas forças de mercado, não teria sentido o BC entrar na compra. Mas o mercado sabe que, numa eventual nova melhora externa que leve o real a uma valorização muito rápida, a autoridade monetária muito provavelmente atuará na compra, impondo um limite à queda dos preços.

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