EFE/Marcelo Sayão
EFE/Marcelo Sayão

Dólar alto beneficia exportadoras e empresas de commodities

De acordo com especialistas, empresas exportadoras e com baixo endividamento em dólar são as mais beneficiadas com a disparada da moeda

Beth Moreira, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2018 | 04h00

Em meio ao expressivo avanço do dólar, que ultrapassou a barreira dos R$ 4,12, as atenções recaem sobre ações de empresas exportadoras e produtoras de commodities. O setor de seguros também é uma boa alternativa, apontam analistas.

As empresas exportadoras e com baixo endividamento em dólar ou com suas dívidas protegidas por hedge são as mais beneficiadas com a disparada da moeda norte-americana, avalia Mario Roberto Mariante, da Planner Corretora. 

Sergio Goldman, analista da Magliano Invest, também sugere companhias com receita em dólar e pouca exposição a moedas estrangeiras no passivo ou custos nesse momento e acrescenta que uma boa pedida também são setores menos afetados pelas incertezas da economia. “Nestas situações estão as exportadoras tradicionais como Vale e Suzano, e também empresas do setor elétrico e de seguros”, afirma.

A visão é compartilhada por Vitor Suzaki, da Lerosa Investimentos, que engrossa o coro de que as empresas de papel e celulose e Vale tendem a ser beneficiadas não somente pela questão cambial, mas pela alta cotação das commodities . 

Adicionalmente, acrescenta Suzaki, empresas do setor de seguro tendem a ser beneficiadas com novo cenário de juros por conta não somente das turbulências e volatilidade com cenário eleitoral como pelas preocupações comerciais externas. 

O analista da Lerosa observa que, por outro lado, o efeito negativo tende a ser observado em empresas com endividamento elevado, assim como varejistas com maior “dependência” de crédito para consumo, como as voltadas a eletrônicos com tíquete maior. 

Além das companhias que têm receita em dólar, o estrategista de Pessoa Física da Santander Corretora, Ricardo Peretti, acredita em uma combinação de empresas menos cíclicas, com menor elasticidade ao desempenho do PIB brasileiro e, de preferência, com instrumentos de proteção à inflação para proteger parcela do capital investido em bolsa.

Para a semana, a Guide Investimentos fez duas alterações na carteira, com inclusão de Gerdau PN e Via Varejo Unit. Sobre a siderúrgica, a corretora diz que continua otimista com a companhia em meio a estratégia de venda de ativos não estratégicos, melhora da rentabilidade, controle incisivo dos custos e despesas observados nos últimos trimestres, mudanças anunciadas na América, entre outros fatores. Já a respeito de Via Varejo, a Guide destaca evoluções significativas, reflexo dos esforços da companhia na implementação da estratégia comercial bem sucedida no multicanal e na busca por eficiência operacional. 

A Magliano Invest incluiu Petrobras PN no portfólio. Goldman explica que no atual patamar as ações da estatal representam um bom ponto de entrada no papel. 

A Terra Investimentos incluiu Bradespar PN na carteira, destacando que enxerga uma boa janela de compra, com a ação descontada diante de preocupações relacionadas a um processo judicial envolvendo a Elétron. A corretora destaca ainda a boa perspectiva de crescimento para as ações diante da valorização do minério de ferro e do dólar. Além disso, acrescenta, a Bradespar tem bom nível histórico de pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas, entre outros pontos favoráveis.

 

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