Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Dólar atinge maior cotação do ano, de R$ 3,31, pressionado por 'guerra comercial' dos EUA

Moeda americana encerrou a semana cotada a R$ 3,3164, atingindo seu maior valor em 2018, com avanço de 0,24% no dia e de 1,17% na semana; Bolsa fecha a semana aos 84.377,19 pontos

Pedro Leite, O Estado de S.Paulo

23 Março 2018 | 18h38

O cenário internacional continuou pressionando o mercado financeiro brasileiro nesta sexta-feira, 23. O dólar encerrou a semana cotado a R$ 3,3164, atingindo seu maior valor no ano, com avanço de 0,24% no dia e de 1,17% na semana. Já o Ibovespa perdeu força ao final da sessão de negócios e fechou o pregão com queda de 0,46%, aos 84.377,19 pontos. Na semana, a desvalorização do índice é de 0,60%.

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Mais uma vez, o temor de uma guerra comercial entre Estados Unidos e China incentivou uma postura cautelosa por parte dos investidores. Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um memorando propondo impor tarifas a cerca de US$ 60 bilhões em produtos da China. Pequim, por sua vez, prometeu retaliações e anunciou tarifas de US$ 3 bilhões sobre produtos norte-americanos, incluido a carne de porco e o aço.

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Apesar da maior cautela, o dólar teve um dia de baixa ante a maioria das moedas, depois das fortes altas da véspera. Dois fatores domésticos reforçaram também a cautela dos investidores: a hesitação em relação aos desdobramentos jurídicos no caso da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a proximidade do feriado de Páscoa, que encurtará a semana de negócios no Brasil.

A Bolsa operou hoje colada no exterior e refletiu, inclusive, a volatilidade que tem sido frequentemente registrada pelos principais índices do mercado acionário em Nova York, a despeito do noticiário positivo para a economia doméstica. O IPCA-15, por exemplo, subiu 0,10% em março e reforçou a aposta de novo corte do juro pelo Banco Central na reunião de política monetária de maio.

Outro sinal positivo veio da criação de 61.188 vagas com carteira assinada em fevereiro de 2018, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O mau humor com o cenário externo limitou o ânimo trazido pela noticiário interno positivo.

Entre as blue chips, os papéis da Petrobras ganharam 0,34% (ON) e 0,14% (PN), leve alta diante da valorização em torno de 2,5% dos contados futuros de petróleo no exterior. Vale ON não teve forças para resistir às quedas do minério de ferro e acabou fechando em baixa de 0,79%. Já no bloco financeiro, Itaú Unibanco PN avançou 0,48% e Bradesco PN, 0,68%. Na contramão, Banco do Brasil ON perdeu 0,55% e as units do Santander caíram 0,62%.

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