Koji Sasahara / AP
Koji Sasahara / AP

China causa pânico nos mercados, derruba Bolsa e leva dólar para o maior nível desde 2003

Temor diante da desaceleração da economia chinesa e seus reflexos negativos na economia global reforçou o movimento de aversão ao risco; dólar fechou a R$ 3,559 e Bolsa despenca 3%

Paula Dias e Claudia Violante, Agência Estado

24 de agosto de 2015 | 10h12

Atualizado às 17h42

SÃO PAULO - Em meio a uma forte turbulência no cenário internacional, o dólar à vista fechou em alta de 1,89% frente ao real, cotado a R$ 3,559 - maior cotação desde 28 de fevereiro de 2003. A China voltou ao centro das atenções com o tombo de 8,5% do índice Xangai, o que espalhou pânico em todo o mundo. 

O temor diante da desaceleração da economia chinesa e seus reflexos negativos na economia global reforçou o movimento de aversão ao risco, e o dólar se valorizou frente às divisas de países exportadores de commodities, como o Brasil. 

Com a queda do mercado acionário chinês, todas as principais bolsas internacionais operaram em baixa nesta segunda-feira. No Brasil, a Bovespa teve sua maior queda neste ano e fechou no menor nível desde abril de 2009. Apenas duas ações terminaram no azul, enquanto os papéis relacionados a commodities exibiram os maiores tombos. 

O Ibovespa terminou o pregão em baixa de 3,03%, maior recuo porcentual desde 12 de dezembro de 2014. Fechou aos 44.336,47 pontos, menor nível desde 8 de abril de 2009 (44.181,98 pontos). Na mínima, marcou 42.749 pontos (-6,50%) e, na máxima, 45.715 pontos (-0,01%). No mês, acumula perdas de 12,83% e, no ano, de 11,34%. 

Petrobrás ON terminou em baixa de 5,43%, a R$ 8,70, Petrobrás PN caiu 6,51%, a R$ 7,76, Vale ON recuou 7,78%, a R$ 15,40, e Vale PNA ficou 7,96% mais barata, a R$ 12,38. A lista de maiores quedas foi encabeçada por Metalúrgica Gerdau PN (-12,46%), Usiminas PNA (-10,42%) e Oi PN (-9,67%). Tiveram alta apenas os papéis da Natura ON (+2,18%) e da Cia. Hering ON (+1,17%).

A desaceleração da economia chinesa também criou incertezas sobre quando os EUA irão iniciar o processo de normalização dos juros locais. Havia expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) começasse a elevar os juros em setembro. O enfraquecimento da China, no entanto, pode adiar essa decisão, até mesmo para 2016.

Diante das incertezas, os investidores buscaram posições defensivas, o que significa, em grande medida, reduzir a exposição a mercados mais voláteis e aumentar o investimento em mercados mais sólidos. 

No pior momento do dia no Brasil, o dólar chegou a ser negociado pela máxima de R$ 3,579, com alta de 2,46%. A desaceleração veio com a fala do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que enalteceu o trabalho do vice-presidente Michel Temer na coordenação política do Palácio do Planalto e anunciou "para breve" medidas de cortes de despesas, que incluem redução do número de ministérios. Na mínima do dia, que coincidiu com as declarações de Barbosa, o dólar foi negociado a R$ 3,529 (alta de 1,03%).

Essa, no entanto, foi uma das poucas influências do cenário interno nos preços dos ativos, uma vez que o nervosismo vindo do exterior se sobrepôs a fatores domésticos. Ainda assim, causou incômodo aos investidores a incerteza quanto à permanência de Michel Temer na articulação política. O mercado também mostrou algum desconforto com a ausência do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em viagem a Washington, em meio à turbulência internacional. 

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