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Dólar sobe e fecha na maior cotação desde março de 2003

Em meio à percepção ruim sobre a economia brasileira, moeda americana fechou em alta de 1,09%, aos R$ 3,4170 – maior nível desde 20 de março de 2003; no mês, moeda subiu 9,91% ante real

Reuters

31 de julho de 2015 | 09h58

Atualizado às 17h24

O dólar subiu 1,09% nesta sexta-feira, fechando a R$ 3,417, a maior cotação desde 20 de março de 2003, quando encerrou a R$ 3,48. A moeda acumulou ganhos de 9,91% em julho e, no ano, já dispara 28,70%, refletindo as incertezas políticas e econômicas no Brasil.

"O que preocupa bastante no futuro são os números da economia brasileira. Com os dados ruins, vamos ficando cada vez mais perto de perder o grau de investimento", disse o superintendente regional de câmbio da SLW, João Paulo De Gracia Correa, para quem o dólar pode ir "facilmente" acima de R$ 3,60 se o País for rebaixado.

Na terça-feira, a agência de classificação de risco Standard & Poor's alertou que o Brasil pode o status de bom pagador devido a riscos políticos, com denúncias de corrupção no âmbito da Lava Jato, e econômicos.

Nesta sessão, o resultado fiscal ajudou a azedar o humor dos investidores, após o governo informar déficit primário de R$ 9,323 bilhões em junho, pior leitura para o mês da história, número que ressalta as dificuldades do governo para equilibrar as contas públicas.

"Para qualquer lado que você olhar, tem notícia ruim, seja fiscal ou política", resumiu o superintendente de câmbio da corretora Tov, Reginaldo Siaca.

Além disso, os investidores também especulavam sobre a rolagem dos swaps cambiais - contratos que equivalem à venda futura de dólares - que vencem em setembro, correspondentes a 10,027 bilhões de dólares.

O BC rolou pouco menos de 60% dos swaps que vencem na segunda-feira, a menor proporção em mais de um ano. O mercado questiona se a autoridade monetária continuará com a estratégia de rolagens reduzidas diante da escalada recente da moeda norte-americana, que tende a pressionar a inflação.

"Num momento como este, o BC não deve anunciar uma rolagem menor e se fizer isso vai causar mais estresse no mercado", disse o operador de câmbio da Correparti Corretora Jefferson Luiz Rugik, para quem o dólar pode ir a R$ 3,50 no curto prazo.

Durante a manhã, a briga pela formação da Ptax, taxa calculada pelo BC que serve de referência para diversos contratos cambiais, deixou a moeda norte-americana volátil, com investidores disputando para deslocar a taxa a patamares favoráveis a suas posições.

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