Dólar avança com investidor de olho em fala de Levy  no Senado

Deterioração das contas públicas traz pressão de alta no dólar

OLÍVIA BULLA, O Estado de S. Paulo

31 de março de 2015 | 09h49

O governo central registrou em fevereiro o pior resultado para o mês desde 1997, com um déficit de R$ 7,357 bilhões. No acumulado dos dois primeiros meses de 2015, o resultado positivo combinado do Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, de R$ 3,093 bilhões, é o pior desde 2009. Essa deterioração das contas públicas traz pressão de alta na abertura dos negócios com dólar. Porém, fatores técnicos, neste dia de formação da taxa Ptax e de fim dos leilões diários de swap cambial, juntamente com a agenda doméstica carregada do dia tendem a trazer volatilidade aos mercados locais no decorrer da sessão. No exterior, o viés é de realização entre os ativos de risco.

Às 9h25, o dólar comercial era cotado a R$ 3,2560 (+1,15%), após uma abertura em alta de 1,49%, a R$ 3,2670. Na mínima do dia, a moeda norte-americana foi a R$ 3,2490, +0,93%. 

Os mercados domésticos iniciaram a sessão já digerindo os números do governo central e também dos preços no atacado, ambos referentes ao mês passado, que foram anunciados logo cedo. Segundo o IBGE, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) subiu 0,26% em fevereiro ante janeiro, de +0,02% em janeiro ante o mês anterior (dado revisado, de -0,13% na leitura original).

Já o resultado do governo central foi de déficit primário de R$ 7,357 bilhões, bem pior que a mediana projetada (positiva em R$ 200 milhões) e fora do intervalo das estimativas, que ia desde déficit de R$ 5,9 bilhões a superávit a R$ 3 bilhões. Trata-se do pior resultado para o mês desde 1997, quando teve início a série histórica. O dado conta com o impacto de parte dos efeitos das medidas já anunciadas pela equipe econômica no início do ano, mas o déficit do mês passado seria maior se não fosse uma receita extraordinária de R$ 4,64 bilhões obtida pela Receita Federal, por causa de uma operação de transferência de ativos.

Com o déficit de fevereiro, o superávit primário do Governo Central caiu para R$ 3,093 bilhões no ano, no pior resultado do primeiro bimestre desde 2009. Em 12 meses, o Governo Central acumula um déficit de R$ 24,9 bilhões, o equivalente a 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB). No início dos comentários sobre os números, o secretário executivo do Tesouro, Marcelo Saintive, afirmou que o resultado de fevereiro já era esperado, pois trata-se de um mês mais fraco em termo de receitas. Ele explicou ainda que os números do mês passado refletem uma queda real da receita e a adequação de pagamento pelo lado do custeio.

O resultado do governo central pressiona o câmbio doméstico, mas a moeda norte-americana deve ter uma sessão de forte volatilidade, em meio à definição da última taxa Ptax de março. Os negócios no mercado cambial podem ainda sofrer influência do viés positivo do dólar no exterior, onde a Grécia e a política monetária dos Estados Unidos seguem no foco, além da movimentação política em Brasília.

Ainda assim, a agenda doméstica segue no radar, com destaque para a audiência pública do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que começa às 10 horas na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Em um procedimento atípico para comissões no Congresso, a segurança do Senado bloqueou o acesso ao plenário da CAE. O acesso ao local somente será liberado 30 minutos antes do início da sessão.

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