Dólar avança mais de 2%, com inflação mundial

O mercado de câmbio deve seguir pautado pelas preocupações em relação à inflação mundial, a trajetória da política monetária dos Estados Unidos e as movimentações dos ativos internacionais em função desses temores. Assim, o dólar negociado no pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) abriu em alta de 2,26%, a R$ 2,258, já que os mercados externos demonstram forte tensão esta manhã. Já o dólar comercial (balcão) avançava 2,58%. a R$ 2,265, na abertura dos negócios. Desde que as apreensões começaram, a cotação do dólar saiu de níveis próximos a R$ 2 para valores superiores a R$ 2,20, no fechamento da semana passada. E, segundo informações divulgadas pela imprensa durante o final de semana, os cálculos do Ministério da Fazenda e do Banco Central seriam de dólar ao redor de R$ 2,40, se houver continuidade da alta dos juros norte-americanos. Enquanto isso, o governo segue discutindo a implantação de medidas que visam a amenizar as eventuais perdas que os exportadores estejam enfrentando por causa da defasagem cambial. Na semana passada falou-se em permitir que o exportador que importa retenha no exterior os recursos das operações de comércio internacional. Estuda-se, também, a ampliação do prazo para os exportadores manterem os recursos das suas vendas no exterior, que hoje é de 210 dias. O próprio ministro Mantega afirmou que está sendo avaliada a postergação do fechamento dos contratos de câmbio, mas adiantou que é contrário à abertura de contas em dólares no Brasil. Até a semana passada, porém, a avaliação mais comum nas mesas de operações era de que essas medidas aliviarão os exportadores, diminuindo seus sustos, mas não terão impacto significativo nas cotações. Assim, mais uma vez hoje, os destaques devem vir do exterior. Mas lá a agenda é fraca, já que não haverá divulgação de indicadores da economia norte-americana. No Brasil, há os dados da balança comercial, que não devem apresentar surpresas. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o vice-presidente do BID, Joaquim Levy, participam de cerimônia que começa às 12h30, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O secretário do Tesouro, Carlos Kawall, e o diretor do Banco Central, Rodrigo Azevedo, também participam de evento público, a partir das 11 horas, na Bolsa de Mercadorias & Futuros ( BM&F). Os investidores vão ficar de olho também no fluxo. Na sexta-feira, a Construtora Norberto Odebrecht (CNO) fechou, por meio de sua subsidiária Odebrecht Overseas Limited (OOL), o direito a uma linha de crédito no valor de US$ 300 milhões. A linha tem prazo de 3 anos e 8 meses, com vencimento em 1 de fevereiro de 2010 e o crédito fica à disposição da construtora, podendo ser sacado ou não, como se fosse um cheque especial.

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