Dólar avança no Brasil antes de vencimento de swaps

Às 9h25, na BM&F Bovespa, o contrato do dólar com vencimento em setembro subia 0,12%, a R$ 2,0395

Olívia Bulla, da Agência Estado,

28 de agosto de 2012 | 09h41

Enquanto a terceira rodada de afrouxamento quantitativo (QE3) não é confirmada pelo presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, o dólar deve seguir ganhando terreno em relação ao real. Isso porque a proximidade do vencimento de US$ 4,5 bilhões em contratos de swap cambial tradicional acrescenta uma demanda pela moeda norte-americana no mercado doméstico de câmbio e acirra a disputa pela formação da taxa de referência do Banco Central (Ptax).

Às 9h25, na BM&F Bovespa, o contrato do dólar com vencimento em setembro subia 0,12%, a R$ 2,0395, depois de fechar a sessão de segunda-feira com alta de 0,30%, a R$ 2,037. No mercado de balcão, o dólar à vista subia 0,20%, a R$ 2,0360, na máxima.

Na opinião de um operador de tesouraria de um banco local, a tendência para o dólar não é de queda até o fim do mês. "Ou fica estável ou sobe mais um pouco", avalia, referindo-se ao comportamento da moeda norte-americana em relação ao real. Isso porque investidores e gestores de câmbio estão praticamente convencidos de que o BC não vai rolar os contratos de swap cambial tradicional que vencem no próximo dia 3 de setembro, o que pressiona o dólar para cima.

O profissional, que falou sob a condição de não ser identificado, destaca, porém, que os eventos programados para essa semana têm forças para alterar essa trajetória do dólar. Internamente, ele diz que a grande dúvida é se o Comitê de Política Monetária (Copom) dará continuidade ao ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic) em outubro.

No entanto, ele não acredita que o colegiado do BC irá sinalizar, no comunicado que acompanha a decisão, qualquer movimentação futura de política monetária. "Vai ficar para a ata", avalia, referindo-se ao documento que será divulgado na semana que vem. "O corte de 0,50 ponto porcentual em agosto já é esperado e não faz preço no câmbio doméstico", completa.

Já no exterior as atenções estão voltadas para o simpósio de autoridades de bancos centrais que acontece em Jackson Hole (EUA), a partir da próxima sexta-feira. Apesar de o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, ter cancelado hoje sua participação no evento, "diante dos pesados trabalhos nos próximos dias", a grande expectativa fica com o discurso a ser proferido por Bernanke.

Para um operador da mesa de câmbio de uma corretora paulista, se o Fed sinalizar para a iminência de um QE3, o dólar perde força no Brasil e, inclusive, o preço de formação da Ptax. "O mercado tem chance até de ir para briga do piso a R$ 2,00 e, depois que os estímulos forem anunciados de fato, pode tentar furar esse patamar", avalia.

Na agenda do dia, os indicadores econômicos dos Estados Unidos podem trazer certa volatilidade aos negócios locais. Pela manhã, saem índices de preços de moradias em cidades norte-americanas e o índice de confiança do consumidor e da atividade industrial na região de Richmond. À tarde, saem os estoques semanais de petróleo bruto e derivados no país.

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