JF Diorio/Estadão
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Dólar avança para o nível de R$ 2,78, maior valor desde 2004

Na Bolsa, ações da Petrobrás inverteram o sinal e fecharam com ganhos; Vale e siderúrgicas foram os destaques de alta

Claudia Violante e Denise Abarca, Agência Estado

09 Fevereiro 2015 | 10h44

Atualizado às 18h10

O dólar à vista cravou seu sétimo avanço em dez sessões, em meio a preocupações com a economia brasileira. Segundo operadores, de maneira geral, o volume foi fraco, com muitos players segurando moeda à espera da evolução do noticiário, enquanto no exterior o desempenho do dólar foi misto ante as demais divisas. 

Se, por um lado, o dólar acumulou boa gordura nas sessões recentes, o que poderia chamar uma realização, de outro, a piora dos indicadores domésticos - em meio a imbróglios como o da Petrobrás, o risco de racionamento e a inflação alta - deixou os investidores desconfortáveis em ficarem vendidos na moeda norte-americana.

A moeda à vista passou o dia com alta bem mais significativa que o dólar futuro, numa correção ao movimento do final da tarde de sexta-feira . Naquele dia, o dólar futuro acelerou a alta na reta final, quando os negócios de balcão já haviam sido encerrados.

Hoje, no fechamento dos negócios, a moeda à vista terminou em R$ 2,7800 (+0,29%), maior patamar de fechamento desde 9/12/2004, quando ficou em R$ 2,7810. Na última sexta-feira, a moeda se valorizou 1,09% e alcançou R$ 2,772, já no maior nível desde 2004Perto das 16h30, o volume no mercado à vista era de apenas US$ 418 milhões. No mercado futuro, às 16h37, o dólar para março era negociado em baixa de 0,13%, a R$ 2,795.

Pela manhã, o Banco Central vendeu 2 mil contratos de swap cambial ofertados na operação diária, com volume financeiro de US$ 97,9 milhões. E vendeu 13 mil contratos de swap ofertados na operação de rolagem de títulos que vencem em 2 de março de 2015, com valor de US$ 630,7 milhões.

Ações. No mercado de ações, a queda das bolsas internacionais não intimidou a Bovespa, que terminou a sessão em alta, sustentada pelos fortes ganhos de Vale e siderúrgicas. Petrobrás também terminou com elevação, a despeito do noticiário negativo em torno da empresa e após a troca de presidência  

O Ibovespa terminou a sessão em alta de 1,21%, aos 49.382,58 pontos. Na mínima, registrou 48.416 pontos (-0,77%) e, na máxima, marcou 49.522 pontos (+1,50%). No mês, acumula ganho de 5,28% e, no ano, perda de 1,25%. O giro financeiro totalizou R$ 7,600 bilhões, dos quais R$ 1,577 bilhão referem-se ao exercício de opções sobre ações. 

Os profissionais não souberam explicar a alta da sessão e muitos atribuíram a ela um perfil técnico. Vale e siderúrgicas, entretanto, tiveram um empurrãozinho da China, onde os dados da balança comercial desapontaram e fizeram crescer a expectativa por medidas de estímulo ao país, o que favoreceria esses papéis. A alta do dólar também contribui para o avanço dessas ações e elas lideraram os ganhos no Ibovespa nesta segunda. 

Usiminas PNA subiu 8,76% e foi a maior valorização do Ibovespa, seguida por CSN ON (+8,73%), Vale ON (+5,73%). Gerdau PN (+4,71%), ficou na quinta posição, seguida por Vale PNA (+4,49%). Petrobrás, por sua vez, inverteu o sinal no início da tarde e terminou com ganho de 1,88% na ON e de 1,75% na PN. A ação subiu a despeito de o Credit Suisse ter rebaixado a recomendação para a estatal de neutra para "underperform". 

O executivo-chefe da Templeton Emerging Markets, Mark Mobius, afirmou que o novo presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, não tem um histórico exemplar para comandar a petroleira, mas é bom no relacionamento com o governo, o que lhe será útil no novo cargo. Mobius disse ainda que o Brasil deve crescer muito pouco este ano, algo em torno de 0,3%, mas se mostrou bastante otimista em relação aos prospectos para o País no médio prazo. "Não me surpreenderia se visse o Brasil crescendo 3%, 4% em 2016", comentou durante evento com jornalistas na sede da gestora em São Paulo.

Entre as preocupações dos agentes com a economia brasileira, está a escalada da inflação, pressionada principalmente pelos preços administrados. De acordo com a consultoria PSR, a energia que abastece as residências brasileiras ficará no mínimo 41% mais cara em 2015. A projeção considera apenas fatores inerentes a problemas enfrentados pelo setor até 2014 e não inclui, por exemplo, o impacto provocado pelas bandeiras tarifárias. Não considera, também, custos associados à continuidade das dificuldades enfrentadas pelo setor em 2015. 

Cenário internacional. No exterior, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, revelou planos de desfazer várias das medidas de austeridade impostas por credores europeus como parte da ajuda financeira concedida a Atenas e reiterou que o país vai buscar um empréstimo-ponte em vez da prorrogação do atual programa de resgate, que vence este mês.

O único dado a agenda de indicadores nos EUA saiu nesta tarde, endossando o que o relatório de emprego, conhecido como payroll, já havia mostrado na sexta-feira. O índice de tendência de emprego medido pelo Conference Board subiu 7,6% em janeiro, frente ao mesmo mês de 2014, para 127,86. O resultado de dezembro foi revisado para 127,17, de 128,43. 

Em relatório, o diretor do Conference Board, Gad Levanon, afirma que o indicador sugere que "o forte crescimento do emprego provavelmente continuará no primeiro semestre deste ano" e que "os reajustes salariais vão acelerar, aumentando a pressão sobre a lucratividade, que já está sofrendo com o baixo crescimento da produtividade e a valorização do dólar".

A China, por sua vez, divulgou um superávit comercial de US$ 60 bilhões em janeiro, mas suas exportações tiveram queda anual de 3,3% no mês passado, contrariando a expectativa de uma alta de 4,0%, enquanto as importações chinesas recuaram 19,9%, mais do que o declínio previsto de 3,3%.

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