Gary Cameron/Reuters
Gary Cameron/Reuters

Dólar cai 2,15% e fecha abaixo de R$ 5; bolsa emplaca quinta alta seguida

O dólar recuou em um dia marcado pelo enfraquecimento global da moeda americana e apetite ao risco no exterior

Antonio Perez e Luís Eduardo Leal, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2022 | 19h00

O dólar à vista caiu mais de 2% na sessão desta terça-feira,17, e fechou abaixo da linha de R$ 5 pela primeira vez desde 4 de maio, em dia marcado por enfraquecimento global da moeda americana e apetite ao risco no exterior. A divisa já iniciou o dia em forte baixa e rompeu o piso de R$ 5,00 ainda pela manhã, em meio a relatos de entrada de fluxo estrangeiro para a Bolsa e desmonte de posições defensivas no mercado futuro.  No fim da sessão, a divisa era cotada a R$ 4,9429, perda de 2,15%. Com isso, o dólar zerou a alta no mês. A baixa em 2022 voltou a ser de dois dígitos (11,35%).

Relaxamento do lockdown em Xangai, na China, e indicadores positivos na zona do euro e nos EUA (vendas no varejo e produção industrial) diminuíram temores de que a economia global caminhe para a "estagflação". Além disso, declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ao longo do dia reforçaram a perspectiva de nova alta da taxa básica em 50 pontos-base em junho, afastando, por ora, apostas em um ajuste mais rápido e intenso da política monetária nos EUA.

Segundo Jerome Powell, presidente do Fed, há "amplo apoio" no comitê de política monetária do banco central norte- americano para um novo aumento da taxa de juros em 50 pontos-base. Mas ele ponderou que a instituição pode ser mais agressiva se a inflação não arrefecer e que não hesitará se tiver que subir a taxa de juros além do nível neutro. "Teremos que reduzir crescimento para controlar a inflação", disse.

"A fala de Powell reforçou o comunicado da última decisão, de aumentos de 50 pontos-base e comprometimento com o combate à inflação. Ele disse também que pode aumentar os juros acima do nível neutro, que ainda não está definido por conta da incerteza global", afirma o economista Matheus Pizzani, da CM Capital, para quem a ênfase de Powell no combate à inflação deixa a porta ainda aberta para aceleração do aperto monetário nos EUA, com alta de 75 pontos-base após a reunião de junho.

No exterior, o índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes - trabalhou em queda ao longo de todo dia e registrou mínima aos 103.411 pontos, em correção após a recente escalada. As perdas mais pesadas foram contra a libra esterlina e o euro, em meio a declarações duras de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE) e à alta de 0,3% do PIB da zona do euro no primeiro trimestre (na margem), levemente acima das expectativas (0,2%). Na comparação anual, houve expansão de 5,1%, ante expectativa de 5%.

Ibovespa emenda 5º ganho consecutivo

Na mesma direção do exterior desde a manhã, o Ibovespa emendou o quinto ganho, estendendo a sua melhor série desde meados de março, ainda que não tenha conseguido sustentar o nível de 109 mil pontos, não visto em fechamento desde 28 de abril. No final da sessão desta terça, o Ibovespa mostrava alta de 0,51%, aos 108.789,33 pontos. Na semana, o índice de referência da B3 sobe 1,74% e, no mês, 0,85% - no ano, o avanço está em 3,78%.

À tarde, a atenção do mercado esteve voltada às declarações de Powell, que reiterou a indicação de que o Fed tende a optar pela manutenção de aumento de 0,50 ponto porcentual na taxa de juros de referência dos Estados Unidos, embora o ritmo de ajuste possa vir a se acentuar caso a inflação não desacelere.

"O dia foi diferente dos últimos, hoje com as bolsas subindo e o dólar caindo praticamente em bloco contra as principais moedas emergentes. O impulso inicial veio da China, com a sensação de que as cidades tenham restrições menores já nas próximas semanas, em junho. Tal afrouxamento tende a melhorar o viés para a atividade econômica no país, que vinha passando por constantes revisões, para baixo", diz Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

O estrategista avalia que as falas da tarde de Powell foram observadas, em geral, pela lente da reiteração de comentários de outros dirigentes do Fed nas últimas semanas, embora persistam dúvidas sobre a dinâmica dos aumentos de juros nos Estados Unidos - como, por exemplo, se haverá elevações em todas as reuniões, daqui ao fim do ano.

"Os mercados mostraram alívio desde a manhã, com o terceiro dia consecutivo sem novos casos de covid na China, o que reforça a perspectiva de reabertura, normalização da economia por lá - e contribui para a melhora do câmbio e da curva de juros por aqui. No Brasil, as contas fiscais e o setor externo têm ajudado, e os números fiscais, ontem, surpreenderam positivamente mais uma vez. Há 12 meses ninguém esperava por isso", diz Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master.

Na ponta do Ibovespa, Locaweb fechou em alta de 11,15%, Cogna, de 5,86%, e Ecorodovias, de 5,10%. Na face oposta, Hapvida (-16,84%), Magazine Luiza (-11,46%) e IRB (-7,89%).

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