Werther Santana/ Estadão
Werther Santana/ Estadão

Dólar tomba 2,15%, cotado a R$ 4,96; Bolsa fecha estável

Mercado operou com cautela um dia antes do anúncio dos rumos da política monetária brasileira e norte-americana

Antonio Perez e Bárbara Nascimento, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2022 | 18h41

Após dois pregões seguidos de alta, em que subiu 2,68% e voltou a superar barreira de R$ 5 no fechamento, o dólar à vista tombou na sessão desta terça-feira, 4, véspera de decisão de política monetária aqui e nos Estados Unidos. Em queda desde a abertura dos negócios, a moeda norte-americana recuou 2,15%, negociada a R$ 4,9635. Divisas emergentes subiram em bloco ante a moeda americana, com o real e o rand sul-africano exibindo os maiores ganhos.

Segundo operadores, o enfraquecimento do dólar no exterior, aliada à venda de US$ 1 bilhão em contratos extras de swap cambial pelo Banco Central, abriu espaço para um movimento de ajuste de posições e realização de lucros.

Após a escalada recente, em que atingiu o maior patamar em 20 anos, o índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes - trabalhou o dia todo em queda, registrando mínima aos 103,029 pontos. O euro, que vinha apanhando, se recuperou, na esteira do resultado acima do esperado da inflação ao produtor na zona do euro em março e declarações da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christiane Lagarde.

Segundo analistas, após a forte deterioração dos ativos de risco, investidores recalibram posições para a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), seguida de entrevista coletiva do presidente da instituição, Jerome Powell.

"Ontem, o mercado teve uma postura de forte cautela, já precificando um discurso mais duro do Fed. Hoje, esse movimento está sendo reajustado", afirma a economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, lembrando que o dólar subiu 2,63% ontem. "O real, por ser mais líquido, tem um movimento mais intenso que outras moedas emergentes. O ambiente é de extrema volatilidade". É dada como certa uma alta da taxa básica americana em 50 pontos-base. Há dúvidas, porém, se o Fed deixará a porta aberta para acelerar o passo em junho, com eventual alta de 75 pontos-base, e se sinalizará a necessidade de pôr a política monetária em campo restritivo para controlar a inflação.

Bolsa

Em um dia de volatilidade na Bolsa brasileira, o Ibovespa encerrou o pregão próximo da estabilidade, em queda de 0,10%, aos 106.528,09 pontos. No ano, o índice acumula alta de 1,63%. A cautela pré decisão de política monetária no Brasil e nos EUA, amanhã, fez o índice suar para defender o patamar dos 106 mil.

Essa cautela vem do receio de que um Federal Reserve (Fed, banco central americano) mais agressivo se traduza em uma atividade global ainda mais difícil. Com isso, ativos de emergentes como o Brasil sofrem nas últimas semanas. No Brasil, a Bolsa já opera nos mesmos patamares de janeiro e anula boa parte do rali emplacado no primeiro trimestre.

O desânimo na Bolsa ocorre a despeito de uma recuperação das ações ligadas a commodities, em um movimento técnico após a forte queda dos últimos dias, destacadamente o setor de metais e siderurgia. Os papéis da CSN estiveram entre as maiores altas do Ibovespa e subiram 4,44%, enquanto Gerdau metalurgia subiu 2,08%. Vale, por sua vez, teve leve queda, de 0,51%.

"O setor de siderurgia recupera um pouco da queda dos últimos dias, apesar de a China permanecer fechada, pelo feriado do dia do trabalho, e manter a política de zero covid", apontou Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos.

Ontem, os mercados reagiram fortemente a dados piores da indústria chinesa, que mostram que os lockdowns do governo de Xi Jinping têm afetado a atividade do gigante asiático. Hoje o mau humor foi menor, por conta das commodities, mas não o suficiente para emplacar uma alta. "O que está acontecendo hoje é expectativa, todo mundo avesso a risco. A grande expectativa é com a 'super quarta', com decisão de juros nossa e americana", aponta Felipe Moura, analista de investimentos da Finacap.

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