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Dólar cai 0,47%, cotado a R$ 4,97; Bolsa interrompe sequência de sete quedas e sobe 1,05%

Embora tenha ensaiado uma recuperação, a moeda norte-americana fechou o dia abaixo dos R$ 5

Da Redação, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2022 | 19h58

Embora tenha esboçado fechar acima de R$ 5, após uma sequência de três pregões de alta firme, o dólar à vista recuou 0,47%, negociado a R$ 4,97, na sessão desta quarta-feira (27), marcada pela divulgação de dados do fluxo cambial e do IPCA-15 de abril. Segundo operadores, a recuperação parcial dos ativos de risco no exterior, depois de uma forte onda de desvalorização, abriu espaço para ajustes e realização de lucros no mercado doméstico de câmbio.

Ao longo do pregão, a trajetória da taxa de câmbio ficou sujeita a solavancos. Com trocas de sinais, o dólar chegou a operar acima do patamar de R$ 5,00, registrando máxima a R$ 5,04 pela manhã. Na mínima, ao longo da tarde, a divisa desceu até 4,93 (-1,24%). Na semana, a moeda norte-americana ainda acumula alta de 3,37%. Em abril, os ganhos são de 4,32%.

No exterior, o dólar teve comportamento misto em relação às moedas de países emergentes e exportadores de commodities. As mínimas da divisa por aqui coincidiram com as perdas mais fortes da moeda norte-americana frente ao peso mexicano e ao dólar australiano. Já o índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes - chegou a superar os 103.000 pontos (maior nível desde janeiro de 2017), sobretudo em razão da fraqueza do euro, que caiu ao menor nível em cinco anos na comparação com a moeda americana.

O pano de fundo que contribuiu para deterioração dos ativos globais nos últimos dias permanece intocado: ajuste mais rápido da política monetária dos Estados Unidos, com provável alta de 0,50 ponto base na taxa básica dos EUA na próxima semana, escalada nas tensões geopolíticas em torno do conflito na Ucrânia (a Rússia confirmou corte de fornecimento de gás para Polônia e Bulgária) e preocupações com a economia chinesa diante de lockdowns para combater a Covid-19.

Para a economista Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest, a queda do dólar hoje pode ter sido um fenômeno pontual, em um ambiente marcado por volatilidade exacerbada. "A expectativa de que o Fed vai aumentar mais os juros e os ruídos políticos internos devem continuar a pressionar a nossa taxa de câmbio", diz Quartaroli, em referência aos atritos entre o presidente Jair Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsa

Em dia de alívio relativo pela leitura um pouco abaixo do esperado para o IPCA-15 em abril, o Ibovespa conseguiu interromper a sequência de sete perdas, a mais longa desde maio de 2016, e fechou o dia em alta de 1,05%, a 109.349,37 pontos.

Após perdas bem distribuídas no dia anterior nas ações e segmentos de maior peso no índice, a recuperação também se mostrou bem disseminada nesta quarta-feira, com o setor de mineração - Vale subiu 5,35% - e siderurgia - Gerdau subiu 6,01% e CSN avançou 4,58% - à frente.

A ponta positiva do Ibovespa ficou com a ação preferencial da Gerdau, seguida por Weg (+5,50%) e Vale. No lado oposto, Hapvida (-5,84%), Azul (-3,19%) e Positivo (-2,63%) registraram as maiores baixas do dia.

"Por mais que o IPCA-15 tenha vindo um pouco abaixo do que projetava o mercado, é um patamar ainda extremamente alto, maior desde 1995 para o mês de abril, como o próprio IBGE ressalta. A pressão é grande sobre o BC para que não interrompa, não deixe a porta fechada no ciclo monetário, na semana que vem. Seria algo que o mercado penalizaria, em termos de câmbio e de curva de juros. Com o Focus de ontem e o IPCA-15 de hoje, a porta deve continuar aberta para eventual alta derradeira em junho ou mesmo além, dependendo do contexto interno e externo", diz Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

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