Dólar cai a R$ 2,41 e Bolsa sobe 2,52% após alta 'surpresa' da Selic

Para alguns especialistas, a alta do juro pode ser sinal de que a política econômica no 2º mandato de Dilma tende ser diferente da feita até agora, criticada pela inflação alta e baixo crescimento

Agência Estado e Reuters, O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2014 | 17h09

O dólar operou em queda expressiva durante toda esta quinta-feira, 30. Na cotação mínima, registrada às 12h30, o dólar à vista estava em queda de quase 3%, cotado a R$ 2,393. Fechou em queda de 2,11%, a R$ 2,4130, em seu terceiro dia de baixa. A desvalorização do dólar foi influenciada pela decisão surpreendente do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa de juros básica, a Selic. 

Nas três últimas sessões, a moeda acumula queda de 4,47%. Perto das 16h30, o giro no mercado à vista era de US$ 1,363 bilhão. 

Na noite de quarta-feira, o Copom anunciou sua decisão de elevar a Selic em 0,25 ponto percentual, a 11,25% ao ano, citando maiores riscos à inflação. Dentro do BC, a avaliação é de que a alta expressiva da inflação em setembro e o avanço da moeda norte-americana de setembro para cá aumentaram ainda mais os riscos aos preços.

Bovespa. A Bolsa subiu durante todo o pregão, influenciada pela temporada de balanços das companhias e pelo Copom. No fechamento, o Ibovespa - principal índice do mercado acionário - registrou alta de 2,52%, aos 52.336 pontos. 

Alguns especialistas entenderam que o movimento pode ser sinal de que a política econômica no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff tende ser diferente da feita até agora, criticada por causar inflação elevada e baixo crescimento.

Por outro lado, o tom mais duro do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, e a expectativa de que os juros nos Estados Unidos comecem a subir mais cedo trazem pressão de alta, mostrando uma tendência de enfraquecimento não só do real como de outras moedas emergentes. 

O BC é duramente criticado pelo mercado por deixar o índice oficial de inflação (IPCA) grudado no teto da meta de 6,5% por muito tempo e agora tenta deixar claro, de forma mais contundente, que não despreza as pressões inflacionárias e que buscará trazer o IPCA ao centro da meta de 4,5% no novo mandato de Dilma Rousseff. O IPCA acumulado em 12 meses está acima do teto da meta, em 6,75%.

Para analistas, a medida sinaliza que o BC busca retomar a confiança do mercado. O ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria, Gustavo Loyola, avaliou que a alta da Selic é um sinal de que o órgão busca "recuperar a credibilidade da política monetária após o embate eleitoral", numa sinalização ao mercado de um maior rigor da política monetária.

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