Dólar cai abaixo de R$ 2,20 sob influência de Tombini

Presidente do BC reitera intervenção diária no mercado e moeda dos EUA fecha em queda de 0,14%, a R$ 2,197

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

24 de setembro de 2013 | 17h03

O dólar voltou a recuar no Brasil e, pela segunda vez desde a última quarta-feira, 18, quando o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) decidiu manter seu programa de estímulos à economia, a moeda terminou abaixo de R$ 2,20. Apesar da valorização do dólar no exterior, os comentários do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, conduziram o movimento ante o real. Tombini voltou a defender a atuação do BC no mercado, o que, conforme analistas, afasta a possibilidade de interrupção dos leilões diários de moeda.

Após subir no início do dia, o dólar à vista negociado no mercado de balcão fechou em baixa de 0,14%, cotado a R$ 2,197. No mês, acumula baixa de 7,81% e, no ano, alta de 7,43%. Na máxima do dia, atingiu R$ 2,2120 (+0,55%) e, na mínima, marcou R$ 2,1900 (-0,45%). No mercado futuro, o dólar para outubro mostrava leve baixa de 0,02%, cotado a R$ 2,2015. 

Pela manhã, o dólar no Brasil mostrou sintonia com o exterior, onde os investidores reagiam à divulgação de dados econômicos na Europa e nos Estados Unidos, em busca de pistas sobre o futuro da política monetária norte-americana. No entanto, os comentários de Tombini na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado fizeram o dólar reverter para baixa.

Tombini ressaltou a ação coordenada do BC e o Tesouro Nacional para reduzir a volatilidade dos mercados. Ele lembrou que o Tesouro fez leilões de recompra de títulos e disse que a atuação naquele momento foi para tirar o risco da mesa e ofertar proteção no mercado cambial. "Isso foi feito num processo coordenado e, no dia 22 de agosto, decidimos anunciar o programa de intervenção diária. Não há novidade em relação a ele", acrescentou. A falta de novidade, segundo operadores, sinaliza a manutenção da estratégia. 

"Foi importante Tombini reafirmar a manutenção do programa, porque nada mudou na situação do Brasil. Estamos vivendo a perspectiva de que o fluxo cambial melhore, mas por enquanto isso é um tremendo desafio", comentou Sidney Nehme, economista da NGO Corretora.

À tarde, o BC informou que a conta de transações correntes do Brasil continuou negativa em agosto, atingindo um déficit de US$ 5,505 bilhões. Nos oito primeiros meses, o déficit em conta corrente está em US$ 57,952 bilhões, o que representa 4,01% do Produto Interno Bruto (PIB).

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