Dólar cai ainda repercutindo comunicado do Fed

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) teve a melhor das atitudes para países emergentes ontem ao definir a nova taxa de juro básica do país: promoveu um aumento de somente 0,25 ponto porcentual e sinalizou a interrupção do aperto monetário. A reação foi de euforia no mercado doméstico e o dólar encerrou o pregão com queda superior a 2%. A taxa de juros nos Estados Unidos passou para 5,25% ao ano. E hoje, na abertura, a moeda também caía (0,14%) e era cotada a R$ 2,172, no pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Antecipadamente, os investidores tinham embutido no preço dos ativos a elevação de 0,25 ponto porcentual na taxa de juro norte-americana e não foi a corroboração disso que animou os negócios na tarde de quinta-feira. O destaque ficou por conta do comunicado. Entre os investidores de câmbio que atuam no Brasil, a expectativa era de que nova elevação de juro fosse feita em agosto, mas o pequeno documento que acompanhou o anúncio da decisão de ontem abriu a possibilidade de que isso não ocorra ao suprimir a frase "alguma firmeza adicional da política poderá ser necessária". Ainda assim, o comunicado afirmou que "o Comitê julga que permanecem alguns riscos de inflação". E isso pode ocasionar novas dúvidas depois que o mercado der por encerrada sua comemoração. O que deve temperar essas incertezas é o desenrolar da economia norte-americana. Nesse sentido, os indicadores dos EUA continuarão sendo monitorados, com os analistas tentando avaliar a leitura que fará deles o Banco Central norte-americano. Ou seja, outros momentos de volatilidade tendem a ocorrer nos mercados. No Brasil, passada a euforia, os especialistas vão tentar definir um novo padrão para o dólar considerando um risco menor de alta contínua do juro dos Estados Unidos. Nessa busca devem considerar também a idéia de que o País está se diferenciando dos demais emergentes aos olhos dos investidores, com vantagens. Ou seja, a princípio, o mercado deve manter a queda do dólar, mas em menor intensidade. Vale ressaltar que, hoje, o mercado forma a taxa média das cotações de dólar, a ptax, que liquidará os contratos da moeda com vencimento em julho. Permeando os negócios estarão também as perspectivas e entradas de recursos decorrentes da oferta pública de ações do Banco do Brasil e da privatização da Companhia de Transmissão Paulista (CTEEP).

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