Dólar cai ante euro e iene afetado por diversos fatores

O dólar é cotado em queda nas transações fechadas na Europa, com o sentimento em relação à moeda afetado ainda pelo dado decepcionante do Instituto para Gestão da Oferta (ISM, em inglês) sobre a indústria manufatureira dos EUA. A especulação sobre a possível substituição do secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, assim como sugestões de que a China poderia comprar uma quantidade menor de títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) também contribuem para criar um ambiente desfavorável para o dólar. Os operadores destacaram ainda que a ausência de dados relevantes da economia norte-americana até sexta-feira, quando será divulgado o número de vagas criadas pelas empresas do país em março, deve afunilar o foco para as aparições das autoridades do Federal Reserve (banco central dos EUA). A pesquisa do ISM mostrou uma queda acentuada da atividade, ampliando a especulação de que o Fed deverá elevar apenas mais uma vez a taxa dos Fed Funds, do nível de 4,75% para 5%, ao invés de trazê-la para 5,25% como alguns esperavam anteriormente. A China voltou a entrar no radar do mercado, após o vice-presidente do Congresso Popular da China, Cheng Siwei, ter afirmado que o país deve interromper a compra de títulos do Tesouro norte-americano, segundo informações publicadas no jornal Wen Wei Po, de Hong Kong. Com reservas estrangeiras de US$ 853,6 bilhões, a China detém um poder extraordinário para manipular a taxa de câmbio. Siwei teria ainda defendido que o país ampliasse suas importações dos EUA. Nos últimos anos, as reservas chinesas explodiram em decorrência da política oficial de comprar dólares gerados pelo saldo comercial das exportações, pelos fluxos de investimento estrangeiro direto e pela entrada de capital especulativo no país. O estrategista de câmbio da Calyon Corporate & Investment Bank, Sebastien Barbe, sugeriu que o comentário faz parte do jogo político, em razão da aproximação da visita do presidente da China, Hu Jintao, a Washington, dentro de duas semanas. O dólar também não recebeu suporte dos indicativos de que a Casa Branca estaria considerando a possibilidade de tirar Snow do Tesouro. Snow é alinhado com a política do dólar mais forte e teria dificuldades para aceitar um dólar mais fraco com vistas a reduzir o déficit comercial do país. Para completar, comentários do governador do Banco Central do Catar, Abdulla Bin Khaled Al Attiyah, indicando que o país pode elevar para até 40% a participação dos euros em suas reservas. Embora o Catar tenha apenas US$ 4,5 bilhões em reservas, a notícia pode reforçar a suposta tendência de que países do Oriente Médio estariam dispostos a diversificar suas reservas. No entanto, os Emirados Árabes Unidos não anunciaram uma diversificação, conforme sinalização dada na semana passada. O Banco Central dos Emirados não discutiu esse tema, no seu encontro de domingo, postergando a decisão para a reunião de abril. Às 9h44, o euro subia 0,92%, para US$ 1,2241. O dólar cedia 0,27%, para 117,43 ienes. As informações são da Dow Jones.

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