Dólar cai ao menor preço em 12 anos e fecha a R$ 1,555

Ajuda de € 109 bilhões à Grécia, anunciada hoje pela União Europeia contribuiu para o tombo generalizado da divisa no mundo

Silvana Rocha, da Agência Estado ,

21 de julho de 2011 | 17h17

O dólar persistiu em baixa pelo terceiro dia ante o real e voltou ao patamar de R$ 1,55, aproximando-se do preço mais baixo desde janeiro de 1999, de R$ 1,5384. O dólar comercial fechou hoje em baixa de 0,32%, a R$ 1,555, enquanto na BM&F o dólar à vista encerrou o pregão a R$ 1,5546, recuo de 0,35%. O euro comercial subiu 0,77% para R$ 2,236.

A decisão de líderes da zona do euro de apoiar um segundo plano de socorro à Grécia, anunciada em documento prévio no começo do dia, impulsionou o euro desde cedo, mas a moeda disparou além de US$ 1,44 somente à tarde, após a confirmação do acordo pelo presidente francês Nicolas Sarkozy. Sarkozy também afirmou que a Linha de Estabilidade Financeira da Europa (EFSF, em inglês), o fundo de resgate europeu, ganhará autoridade para operar no mercado secundário de títulos para auxiliar nesse esforço. Por volta das 16h10, o euro subia para US$ 1,437, de US$ 1,421 ontem.

No final da tarde, os países da zona do euro informaram em um comunicado que o setor financeiro mostrou disposição em ajudar voluntariamente a Grécia e pode contribuir com um total de aproximadamente 50 bilhões de euros no período que vai de 2011 a 2014. Desse total, 12,6 bilhões de euros seriam destinados a um programa de recompra de dívida, enquanto 37 bilhões de euros serão utilizados "em um menu de opções" disponíveis para ajudar os gregos.

O salto do euro pesou contra o dólar, que se manteve em baixa ou ampliou as perdas no mercado internacional de moedas. Em relação ao real, o dólar foi pressionado ainda por ingressos de recursos, atraídos pela alta da taxa Selic (juro básico da economia brasileira) em 0,25 ponto porcentual ontem, para 12,50% ao ano, em meio à situação incerta da dívida nos EUA.

Com o dólar perto de mínimas históricas, o mercado volta a inquietar-se com possíveis medidas cambiais. O economista José Francisco de Lima Gonçalves, da Fator Corretora, disse que o próximo passo do governo deve ser uma medida mais dura, alguma restrição de prazo de permanência da aplicação no País e poderia afetar todos os fluxos, incluindo IED e renda variável. "Mas aí a situação teria de estar no limite", avalia. A adoção de novas medidas depende, segundo ele, da pressão de exportadores e de industriais sobre o governo, por causa da concorrência asiática. Contudo, a volatilidade é tão grande lá fora, que diante das incertezas, o governo se mantém na observação, não está precisando entrar em campo, bastando fazer alertas para tentar conter a baixa do dólar, disse.

Com fluxo favorável, o volume de negócios melhorou e o Banco Central fez dois leilões de compra de dólar à vista, nos quais fixou as taxas de corte em R$ 1,5558 e R$ 1,5548.

Nas operações de câmbio turismo, o dólar caiu 0,24% hoje para R$ 1,653 na venda e R$ 1,537 na compra. O euro turismo subiu 0,43% para R$ 2,347 na venda e R$ 2,207 na compra.

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