Dólar cai após BC atuar 2 vezes e à espera de medidas

A moeda dos EUA fechou a R$ 2,1370, após atingir R$ 2,1670, maior valor durante os negócios desde 30 de abril de 2009

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

11 de junho de 2013 | 18h08

Em mais um dia de pressão no mercado de câmbio, o dólar fechou em baixa de 0,51% ante o real no balcão, cotado a R$ 2,1370 nesta terça-feira, 11. A moeda norte-americana, que chegou a ser negociada a R$ 2,1670 pela manhã, acabou recuando após duas intervenções do Banco Central (BC) e em meio à expectativa de que, ainda nesta noite, o governo anuncie novas medidas cambiais. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, está reunido nesta tarde com a presidente Dilma Rousseff.

Na máxima, verificada às 9h43, o dólar atingiu alta de 0,88%, a R$ 2,1670 no balcão - o maior valor intraday desde 30 de abril de 2009, quando alcançou R$ 2,1880. Na mínima, vista às 16h07, após os dois leilões do BC e com o mercado à espera de novidades em Brasília, marcou R$ 2,1340, em queda de 0,65%. Da máxima para a mínima, a moeda oscilou -1,52%.

Perto das 16h30, a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro de US$ 2,211 bilhões. O dólar pronto da BM&F teve baixa de 0,41%, para R$ 2,13720, com apenas cinco negócios. No mercado futuro, o dólar para julho era cotado a R$ 2,1450, em queda de 0,49%.

Pela manhã, com a decisão do banco central japonês de não implementar nova medida de estímulo e com os investidores à espera da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) na semana que vem, a aversão ao risco predominou, dando força às taxas dos Treasuries norte-americanos e ao dólar em relação a moedas com elevada correlação com commodities.

Com o dólar acima de R$ 2,16 no balcão, o BC decidiu agir e convocou um leilão de swap cambial (equivalente à venda de dólares no mercado futuro) para entre 10h50 e 10h55. Pouco depois, entre 11h25 e 11h35, um segundo leilão foi anunciado, em movimento semelhante ao da véspera, quando o BC também fez duas operações.

Os leilões fizeram o dólar desacelerar, mas a divisa dos EUA passou a recuar após a informação de que Mantega e Dilma se reuniriam nesta tarde. Para o mercado, o encontro indica que medidas cambiais estão a caminho.

Profissionais citaram que o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 1%, cobrado de posições vendidas líquidas acima de US$ 10 milhões no mercado futuro, pode cair, assim como a cobrança de 6% de IOF em empréstimos externos com prazo inferior a 360 dias. Caso alguma das medidas se confirme, o dólar poderia recuar ante o real - o que justifica o ajuste em baixa visto no fim desta sessão.

Ao mesmo tempo, também circularam comentários, em especial no mercado de renda fixa, que a reunião de Mantega e Dilma pode resultar no anúncio de um programa de crédito subsidiado para compra de eletrodomésticos aos beneficiários do programa Minha Casa, Minha Vida. Na quarta-feira da semana passada, 5, o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, antecipou que o governo federal iria anunciar nesta quarta, 12, a oferta de crédito subsidiado para os mutuários do programa habitacional comprarem televisores e computadores.

"O BC atuou, as moedas (de emergentes) melhoraram lá fora. Mas a expectativa ainda recai para a reunião do Mantega e da Dilma", comentou um operador de um grande banco. "Pode vir mudança no IOF para derivativos ou um maior comprometimento fiscal do governo", acrescentou.

"Com a perspectiva de que possa haver mudança no IOF cobrado em derivativos, o dólar acaba caindo. Porque não adianta comprar agora se a moeda vai ficar mais barata com a medida", completou Mário Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora.

Vale lembrar que na semana passada, quando Mantega e Dilma se reuniram no meio da tarde na terça-feira, 4, o governo anunciou a isenção de IOF para investimentos de estrangeiros em renda fixa.

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