Dólar cai com G-20 e no aguardo de novo estímulo do Fed

Mercado espera nova rodada de afrouxamento quantitativo na reunião da semana que vem

Regina Cardeal, da Agência Estado,

25 de outubro de 2010 | 19h32

O dólar caiu sensivelmente nesta segunda-feira depois que o comunicado divulgado pelo Grupo dos 20 (G-20), no sábado, abriu o caminho para que os investidores centrassem foco outra vez na esperada rodada de afrouxamento quantitativo pelo Fed. A promessa do G-20 de evitar "desvalorizações competitivas" reduziu os temores de que os governos busquem desvalorizar agressivamente suas moedas em relação à divisa norte-americana.

 

Para John McCarthy, gestor de negociações de câmbio do ING Capital Markets em Nova York, o G-20 não produziu nada muito surpreendente, mas levou o mercado a voltar novamente sua atenção para o aguardado programa de estímulo do Fed, que deverá inundar o mercado com dólares, pressionando mais a moeda norte-americana.

 

O dólar atingiu uma nova mínima em 15 anos em relação ao iene, caindo a 80,41 ienes mais cedo, num movimento iniciado de madrugada pelo dólar australiano, que subiu 1,4%. Ao fugirem do dólar, os investidores são atraídos pelas moedas ligadas ao mais forte crescimento global, sobretudo as da Ásia, disse McCarthy. "As pessoas sabem que as moedas dos mercados asiáticos vão continuar a ter desempenho melhor do que as do Ocidente até que a crise das hipotecas tenha sido superada não só nos EUA, mas também na Europa", disse.

 

O dólar reduziu a queda em relação às principais moedas na sessão em Nova York depois da divulgação de dados positivos sobre o setor de moradias nos EUA. As vendas de imóveis residenciais usados aumentaram 10% no mês passado, de acordo com a Associação Nacional de Corretores de Imóveis. Os economistas ouvidos pela Dow Jones esperavam alta de 5,3% das vendas em setembro.

 

A recuperação parcial do dólar em Nova York revela um certo nervosismo com os próximos eventos de novembro, comentou Jessica Hoverson, analista de câmbio e renda fixa da MF Global em Chicago. "Os republicanos podem conseguir a maioria no Congresso em 2 de novembro", o que é visto em geral como positivo para o dólar, por causa do apoio político menor às medidas de estímulo, disse. Além disso, "o risco de o Fed decepcionar é alto" no que se refere ao tamanho do novo pacote de estímulo, quando se reunir nos dias 2 e 3 de novembro, acrescentou. "Há um risco de vermos um rali do dólar", opinou.

 

Mas, nesta segunda-feira, o dólar também foi pressionado por relatório do Goldman Sachs sugerindo que o Fed pode ter de oferecer um afrouxamento quantitativo adicional de US$ 2 trilhões ou, no pior cenário, o dobro disso.

 

Axel Weber, diretor do Banco Central Europeu (BCE) e presidente do banco central alemão (Bundesbank), disse que as taxas de câmbio devem ser livremente determinadas pelo mercado e defendeu um "desarmamento verbal" quando se fala de câmbio global. Em seu comunicado de sábado, o G-20 disse que os países do grupo "vão se mover para sistemas de câmbio mais determinados pelo mercado, que reflitam os fundamentos econômicos, e evitar desvalorizações competitivas das moedas".

 

Será mais difícil para o Japão intervir, para direcionar o iene para baixo a fim de ajudar seus exportadores, por causa do novo acordo, mas há chances de que o governo japonês não considere a intervenção como uma manipulação do mercado, disse Steven Barrow, chefe de estratégia para o G-10 do Standard Bank em Londres. Por isso, novas intervenções não podem ser descartadas se o iene subir mais, acrescentou.

 

No fim da tarde em Nova York, o euro era negociado em US$ 1,3969, de US$ 1,3923 na sexta-feira. O dólar estava em queda a 80,79 ienes, de 81,41 ienes na sexta-feira, enquanto o euro era negociado em 112,86 ienes, abaixo dos 113,46 ienes da sessão anterior. A libra esterlina estava em alta a US$ 1,5732, de US$ 1,5667 na sexta-feira. As informações são da Dow Jones.

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